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Presidente Lula e primeiro-ministro do Vietnã ampliam cooperação bilateral

Em visita ao Brasil, Pham Minh Chinh defende assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, apoia reforma de instituições multilaterais

25/09/2023 16:19
Presidente Lula e primeiro-ministro do Vietnã ampliam cooperação bilateral

 

Um encontro para potencializar acordos econômicos e cooperações entre Brasil e Vietnã, reforçar o interesse comum dos dois países em reformas de instituições multilaterais e projetar um novo horizonte para as relações diplomáticas entre a nação asiática e o Brasil, que completam 35 anos em 2024. Assim pode ser resumido o encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro do Vietnã, Pham Minh Chinh, no Palácio Itamaraty, nesta segunda-feira, 25 de setembro.

A reunião marcou o segundo encontro entre os dois líderes em quatro meses. Lula e Minh Chinh já haviam conversado no fim de maio, em Hiroshima, no Japão, à margem da Cúpula do G7.

O Vietnã é o sexto maior destino dos produtos do agronegócio brasileiro, e os dois lados entendem que ainda há grande espaço para ampliação de relações comerciais tanto em proteína animal e agricultura quanto em setores como biocombustíveis, energia renovável e transição para economia de baixo carbono.

REFORMAS — No campo diplomático, o primeiro-ministro vietnamita alinhou-se ao Brasil ao se dizer convencido de que é preciso trabalhar pela paz no âmbito global. Ele elogiou o posicionamento brasileiro na Assembleia Geral das Nações Unidas, na última semana, em torno da necessidade de reformas dos organismos multilaterais para espelhar a geopolítica atual e defendeu uma vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

“Apoiamos reformas das instituições multilaterais para aumentar a voz do mundo em desenvolvimento, democratizando e dando efetividade a elas”, disse o primeiro-ministro vietnamita, que ressaltou ainda ter boas expectativas quanto ao período de Presidência do Brasil no G20 e que será parceiro na cobrança de compromissos assumidos pelos países desenvolvidos nas conferências mundiais do clima. Ele ainda ressaltou o interesse em um acordo bilateral de facilitação de investimentos e um multilateral entre a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e o Mercosul, apoiado pelo Brasil durante sua Presidência do bloco continental.

INDEPENDÊNCIA — Ao ressaltar a importância das relações entre os dois países, o presidente Lula parabenizou Minh Chinh pelas comemorações referentes aos 77 anos de independência do Vietnã, no último dia 2 de setembro. Pham Minh Chinh se disse impressionado com o desenvolvimento da economia brasileira e destacou que Vietnã e Brasil têm crescido em ritmo parecido.

Ao agradecer a forma cordial como foi recebido, Minh Chinh convidou Lula para uma visita oficial ao Vietnã. “Eu aceitei o gentil convite do primeiro-ministro Pham Minh Chính para ir a Hanói celebrar essa ocasião”, afirmou Lula.

CARGUEIRO E AERONAVES — O presidente Lula enfatizou as muitas oportunidades para investimentos estrangeiros no Brasil com o Novo PAC, e reforçou que o Brasil tem interesse em aperfeiçoar as relações com o Vietnã também na área da defesa e no intercâmbio em ciência e tecnologia. Lembrou que o Brasil vive momento auspicioso, com oportunidades de novos investimentos na transição energética em diversos campos, como os de energia eólica, solar, biodiesel e hidrogênio verde, entre outros.

Antes de desembarcar em Brasília, Pham Minh Chinh esteve em São Paulo, onde visitou a sede da Embraer. O cargueiro KC-390 e as aeronaves Super Tucanos, produzidas no Brasil, interessariam ao país asiático. Segundo o ministro da Defesa, José Múcio, há possibilidade de o Brasil dobrar as exportações para o Vietnã no setor de Defesa.

Minh Chinh explicou que o Vietnã é um país de 100 milhões de habitantes e em rápido desenvolvimento. Segundo ele, sua nação apresenta um ambiente macroeconômico estável, com inflação controlada, dívida interna e externa sob controle e crescimento expressivo. Destacou ainda que o governo tem enfrentado bem desafios econômicos como equilíbrio fiscal, emprego, segurança energética e alimentar. Em sua avaliação, o Vietnã construiu um socialismo de mercado e será um país de renda média até 2030.

O primeiro-ministro vietnamita afirmou ainda que programas sociais como o Bolsa família e o Minha Casa, Minha Vida se tornaram modelos internacionais e elogiou Lula ao classificá-lo como líder mundial.

CULTURA E ESPORTE — A reunião bilateral contou com a participação, pelo lado brasileiro, do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), Margareth Menezes (Cultura), José Múcio (Defesa) e Camilo Santana (Educação).

Também participaram a embaixadora Maria Laura da Rocha, secretária-geral das Relações Exteriores e chanceler em exercício da pasta, e o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim.

A ministra Margareth Menezes, por exemplo, destacou que a pasta trabalhará para que em 2024, durante as celebrações dos 35 anos de relações entre Brasil e Vietnã, artistas brasileiros se apresentem no país asiático. Ela também afirmou que outras áreas culturais podem ser desenvolvidas entre as nações, como cinema, música, literatura e dança.

COMÉRCIO BILATERAL — As relações diplomáticas entre Brasil e Vietnã foram estabelecidas em 1989. A embaixada do Brasil em Hanói foi aberta em 1994, e o Vietnã inaugurou sua embaixada em Brasília no ano 2000.

O volume de comércio entre Brasil e Vietnã chegou a US$ 6,4 bilhões em 2022. Desse total, as exportações brasileiras somaram US$ 3,4 bilhões. Nesse período, o Brasil importou pouco menos de US$ 3 bilhões em mercadorias vietnamitas.

Os produtos mais vendidos pelo Brasil ao país asiático foram: farelo de soja (com 25% do total exportado), soja em grãos (17%), algodão (16%) e milho (14%). Já as importações de produtos vindos do Vietnã foram principalmente de equipamentos de telecomunicação (29%), válvulas e transístores (25%), calçados (6%) e pneus (5,5%).

 

Por: Planalto

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