Direitos humanos

Cuidado de autistas é foco de políticas públicas federais

Das salas multissensoriais nas agências do INSS ao Programa de Acolhimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista nos aeroportos, atual gestão formula diversas ações para pessoas com TEA

Agência Gov | Via Secom/PR
02/04/2025 13:00
Cuidado de autistas é foco de políticas públicas federais
Dilvulgação/INSS
Sala multissensorial, dedicada a acolher pessoas com autismo, está sendo implantada em agências do INSS e aeroportos

A atenção do Governo Federal às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é muitas vezes foco de campanhas de desinformação que procuram instigar essa parcela da população que precisa de medidas especiais. Recentemente, conteúdos maliciosos repercutiram a informação falsa de que o Governo Federal não reconheceria o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como deficiência. A Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência) reconhece o autismo como deficiência, enquanto a Lei 12.764/2012 institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Vale ressaltar que o recente Decreto 12.411/2025 garante representante das pessoas com TEA no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), órgão que acompanha e avalia o desenvolvimento de políticas nacionais para inclusão da pessoa com deficiência e das políticas setoriais de educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, turismo, desporto, lazer e política urbana voltados para essa parcela da população.

Outra desinformação recentemente veiculada que atinge às pessoas com autismo e com outras deficiências diz respetio ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). As novas regras do BPC contemplam deficiências leves, mediante as regras de concessão. O benefício, no valor de um salário mínimo por mês, é pago a pessoas com deficiência, assim como para idosos com 65 anos ou mais, que não têm condições de se sustentar ou serem sustentados pela família. Para ter direito ao benefício, é preciso que a renda per capita do domicílio do beneficiado seja entre 25% e 50% do salário mínimo (entre R$ 353 e R$ 706). Caso outra pessoa no domicílio já receba o BPC, o benefício desta pessoa não fará parte do cálculo.

Por meio do Novo Viver Sem Limite, Plano Nacional dos Direitos da Pessoa Com Deficiência, o Governo Federal implementou uma série de ações que visam atender às pessoas com TEA. Dentre elas, o novo custeio mensal para atendimento a pessoas com autismo nos serviços da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) do Ministério da Saúde (MS). O plano prevê, ainda, a capacitação de 6 mil profissionais de segurança pública na atuação policial frente às pessoas com deficiência psicossocial.

Outro exemplo de ação dentro do Novo Viver Sem Limite voltada para as pessoas com TEA é o Programa de Acolhimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista e as salas multissensoriais em aeroportos brasileiros. A previsão é implantar 20 unidades de salas multissensoriais para o acolhimento de pessoas com autismo nos aeroportos e aeródromos regionais.

 Além da implantação de salas multissensoriais que visam oferecer estímulos sensoriais (visuais, táteis e auditivos) para promover relaxamento, concentração e bem-estar, serão também implementadas salas de acomodação, com estímulos reduzidos para acolher passageiros durante momentos de crise.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também está implementando salas multissensoriais em agências do órgão. A previsão inicial era de inaugurar 15 salas em todo país, mas esse número deve aumentar. Os ambientes contam com espaços individuais e adaptados, e têm itens como brinquedos, livros, iluminação regulável, ambiente com atenuação de ruídos, abafadores, almofadas e tapetes sensoriais. E, onde não tem o espaço, são utilizados kits itinerantes que foram distribuídos para 804 assistentes sociais em unidades sem as adaptações para suporte aos segurados impactados pelo excesso de estímulos sensoriais.

Buscando aprimorar o atendimento e a inclusão social de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), a Secretaria Nacional de Paradesporto (SNPAR) do Ministério do Esporte atualizou o programa TEAtivo. O programa consiste na criação de núcleos especializados de convivência social e de práticas esportiva e de lazer, que serão viabilizados por meio de recursos discricionários do Governo Federal e emendas parlamentares a serem direcionadas às entidades executoras da administração pública direta ou indireta estadual, distrital e municipal ou a organizações da sociedade civil (OSC), voltadas ao desenvolvimento global da pessoa com TEA.

Nesta gestão, o Ministério da Saúde revisou e atualizou as diretrizes para o atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Também foram criados incentivos, como o adicional de 20% no custeio para Centros Especializados em Reabilitação (CER) que atendem pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reajustes de 25% a 35% nos valores para todos os tipos de CER.


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