Haddad defende fortalecimento institucional do país para superar desafios globais
Em comemoração dos 60 anos do Banco Central, ministro da Fazenda salientou importância da democracia para continuidade do projeto nacional e a estabilidade econômica

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou a importância do fortalecimento institucional do país e da coordenação entre os órgãos de Estado para garantir a continuidade do projeto nacional e a estabilidade econômica. Durante a cerimônia de celebração dos 60 anos do Banco Central do Brasil (BC), realizada nesta quarta-feira (2/4), Haddad ressaltou que o BC vive um novo momento, após passar “por uma transição complexa e inédita” e enfatizou a relevância de uma visão institucional que ajude a superar a polarização política negativa e construir um projeto de país sustentável e democrático.
Segundo ele, a boa polarização ocorre quando há um debate democrático saudável, enquanto a má polarização impede a formulação de uma agenda de Estado. “A má polarização é quando a tensão entre os polos impede uma agenda de Estado, quando você não consegue construir um projeto de país, que numa democracia vai passar por alternância de poder”, afirmou.
De acordo com o ministro, a responsabilidade de quem está na vida pública é garantir que a passagem de um governo para o outro não coloque a perder o que é essencial para o projeto nacional. “Aquilo que é essencial da continuidade do Brasil enquanto nação, das perspectivas de emancipação do país em termos políticos, em termos econômicos, em termos sociais e, hoje, em termos ambientais”, pontuou.
Superando dificuldades
O ministro elogiou a condução do BC ao longo das últimas seis décadas, mencionando momentos “disruptivos e celebrativos”, como a implementação do Plano Real. “Tem vários bons momentos, vários momentos muito difíceis, mas a instituição soube viver os momentos difíceis também e superar as dificuldades”, lembrou.
Haddad também abordou os desafios globais que impactam a economia e ressaltou que a clareza sobre os pontos de convergência é essencial para o avanço do país. Segundo ele, a divergência de opiniões deve ser usada para fortalecer o debate democrático, com o cidadão sempre tendo a palavra final. Ele destacou que, apesar das incertezas do cenário internacional, é possível construir soluções eficazes para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Além disso, o ministro enfatizou a necessidade de aperfeiçoamento contínuo, citando propostas para redesenhar instituições como o Banco Central, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Monetário Nacional (CMN), para torná-las ainda mais eficazes e mais efetivas na vida nacional. “São boas ideias, de gente que estuda esses assuntos, que observa a experiência internacional, que quer trazer para cá as melhores experiências, adaptando à nossa realidade”, explicou. Nesse sentido, ele elogiou a troca de experiências entre atuais e antigos gestores do BC e a valorização do conhecimento acumulado.
Autonomia
Ao final, o ministro da Fazenda reforçou o compromisso do governo de respeitar a autonomia do Banco Central, ao mesmo tempo em que contribuirá com informações e sugestões para aprimorar sua atuação. “Eu tenho certeza de que você vai contar com um governo que vai respeitar a tua autonomia, mas também vai trazer para cá informações, dados, sugestões que vão engrandecer o trabalho da equipe econômica”, afirmou Fernando Haddad, dirigindo-se ao presidente do BC, Gabriel Galípolo.
A solenidade também contou com a presença de autoridades do governo, ex-presidentes do Banco Central e representantes do setor financeiro, que reforçaram a importância da instituição na estabilidade econômica do Brasil. Durante o evento, foi lançado selo institucional em comemoração aos 60 anos do BC.
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