Tebet destaca importância do Banco Central para estabilidade da moeda e controle da inflação
Em cerimônia dos 60 anos do Banco, ministra do Planejamento e Orçamento destacou bons números da economia brasileira e previu queda de preços nos próximos 60 dias, o que pode favorecer queda dos juros

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ressaltou nesta quarta-feira (02/04) a importância do Banco Central do Brasil para a estabilidade da moeda brasileira e o controle da inflação no país. Em seu discurso durante a cerimônia de comemoração dos 60 anos do BC, ela destacou que, embora a instituição tenha autonomia, há uma relação de harmonia e cooperação entre a autoridade monetária e a equipe econômica do governo federal.
Segundo Tebet, talvez o que falte para o Brasil é uma compreensão do papel e da importância do BC e do que a estabilidade da moeda significa para a vida de cada brasileiro e de cada brasileira. “Quando nós falamos de estabilidade na moeda, nós estamos falando de controle de inflação. Quando nós estamos falando de controle de inflação, nós estamos falando de assegurar que o dinheiro árduo ganhado com o suor do trabalho de cada trabalhador e de cada trabalhadora possa render e possa fazer com que ele possa ir ao supermercado e comprar tudo aquilo que precisa”, afirmou.
Nesse sentido, na visão da ministra, o BC tem o desafio de fazer o dever de casa, cuidando da política monetária e aumentando juros, quando necessário, mas também de saber que “a dose, o equilíbrio é fundamental num país desigual”.
Ela demonstrou otimismo com a economia brasileira, destacando que os números apontam que “o Brasil está rumando pelo caminho certo” e o que falta “é combater a inflação de forma eficiente”. Admitindo que essa é “uma tarefa árdua”, a ministra previu que nos próximos 60 dias, se tudo correr bem, já haverá uma diminuição dos preços, especialmente dos alimentos, permitindo que o Banco Central possa avaliar a possibilidade de reduzir a taxa de juros no segundo semestre.
Impactos externos
Tebet destacou que o atual momento econômico global impõe desafios inéditos e de grande complexidade, considerando fatores externos que podem impactar a inflação mundial e, inclusive, a brasileira, o que exige harmonia. “Embora estejamos diante de um Banco Central absolutamente autônomo, com autonomia, com a qual eu votei e concordo, há uma harmonia entre o Poder Executivo, a equipe econômica do governo do presidente Lula, e o Banco Central”, frisou.
Ela acrescentou que o Conselho Monetário Nacional (CMN) – do qual ela, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fazem parte – tem sido fundamental para oferecer um "porto seguro para as políticas públicas serem eficientes na medida certa” e para que “o setor produtivo possa ter os benefícios necessários na medida certa”.
Outro ponto enfatizado por Tebet foi a necessidade de revisão dos gastos tributários, que representam uma renúncia fiscal de quase R$ 600 bilhões anuais. Para a ministra, algumas dessas renúncias são justificadas, mas outras precisam ser reavaliadas para garantir maior equilíbrio fiscal e eficiência na alocação dos recursos públicos.
Defesa do país
Observando a presença de ex-presidentes do BC no evento, Tebet avaliou que é isso que o país precisa para ter continuidade institucional e fortalecer as políticas públicas, citando como exemplo a evolução do PIX como sistema de pagamento. “Nós temos harmonia de sucessão, porque aqui não estamos a defender uma ideologia, estamos a defender um país”, constatou.
Ao final, a ministra do Planejamento apontou que o último desafio é explicar para o mundo por que, com altas taxas de juros, o Brasil ainda não consegue combater a inflação. “Talvez, esteja faltando para todos nós redescobrir o Brasil e as nossas potencialidades. A transição ecológica, enologia renovável, Reforma Tributária, tudo isso está chegando para fazer com que o Brasil do futuro tenha um país menos desigual, mais justo e, especialmente, mais humano”, disse.
A solenidade também contou com a presença de autoridades do governo, ex-presidentes do Banco Central e representantes do setor financeiro, que reforçaram a importância da instituição na estabilidade econômica do Brasil. Durante o evento, foi lançado selo institucional em comemoração aos 60 anos do BC.
A reprodução é gratuita desde que citada a fonte