Segurança pública

Brasil intensifica cerco ao crime organizado com foco na descapitalização de facções e repressão em fronteiras

O combate ao crime organizado e a asfixia financeira das facções criminosas são prioridades da política de segurança pública do Governo do Brasil. Em 2025, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 9,6 bilhões em dinheiro, bens e ativos ligados a esses delitos, aumento de 64% em relação ao ano anterior e crescimento de 80% desde 2022

Agência Gov/Via Secom
02/01/2026 12:53
Brasil intensifica cerco ao crime organizado com foco na descapitalização de facções e repressão em fronteiras
Ricardo Stuckert/PR, Min. Justiça e Polícia Federal
Atuação integrada e foco em inteligência permitiu chegar "ao andar de cima" e apreender recursos e bens do crime organizado

O combate ao crime organizado e a asfixia financeira das facções criminosas são prioridades da política de segurança pública do Governo do Brasil. Em 2025, a Polícia Federal (PF) apreendeu mais de R$ 9,6 bilhões em dinheiro, bens e ativos ligados a esses delitos, aumento de 64% em relação ao ano anterior e crescimento de 80% desde 2022. Desde 2023, mais de R$ 20 bilhões em bens e valores foram retirados das mãos de criminosos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou a atuação na repressão ao tráfico de drogas, armas e contrabando nas rodovias federais e na região de fronteira, marcando, de janeiro a novembro, 31 mil registros de ocorrências.

O combate às facções criminosas chegou pela primeira vez ao andar de cima, e nenhum dinheiro ou influência vai nos impedir de ir adiante"

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

O perfil do crime organizado mudou nos últimos anos, ao transcender as fronteiras nacionais e se tornar um fenômeno global. Desde 2023, o Governo do Brasil, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), foca em  ampliar a eficiência da estratégia de enfraquecer financeiramente as facções com a instauração simultânea de iniciativas locais, nacionais e internacionais.

"Criamos uma comissão para implementar uma estratégia comum contra o crime organizado transnacional e instituímos um grupo de trabalho especializado sobre recuperação de ativos, a fim de asfixiar as fontes de financiamento de atividades ilícitas", afirmou Lula durante a 67ª Cúpula do Mercosul, em 20 de dezembro, em Foz do Iguaçu (PR). “As verdadeiras ameaças à soberania se apresentam hoje na forma da guerra, das forças antidemocráticas e do crime organizado. Enfraquecer as instituições significa abrir espaço para o crime organizado", completou.

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Ação da PRF nas estradas ajuda a ampliar o número de apreensões de substâncias e mercadorias ilícitas. Foto: PRF / Divulgação

PF E PRF: PILARES – A PF e a PRF são centrais no combate ao crime organizado. Em 2025, o valor apreendido pela Polícia Federal inclui dinheiro em espécie, imóveis, embarcações, aeronaves, criptoativos e ouro, além de valores em contas bancárias bloqueadas. De acordo com dados do MJSP, os resultados indicam a intensificação na estratégia de descapitalização das facções.

No período de 1º de janeiro a 5 de dezembro deste ano, a PF apreendeu 68.265 kg de cocaína contra 74.501 kg em 2024; e  677.117 kg de maconha em 2025 contra 482.973 kg em 2024, aumento de 40% nas apreensões da droga. No comparativo dos últimos anos, houve aumento de 27% no número de prisões (1.914 em 2022 para 2.439 em 2024 e 2.146 prisões até outubro de 2025).

Já a PRF, que atua na repressão ao tráfico de drogas, armas e contrabando nas rodovias federais, contribuiu para a descapitalização do crime organizado ao apreender ativos e mercadorias ilícitas nas fronteiras e estradas. Neste ano, também realizou a detenção de 38.362 pessoas e a recuperação de 7.394 veículos em ações de fiscalização e policiamento nas rodovias federais. Como resultado desse esforço, foram apreendidas 1.057 armas de fogo e mais de 54 mil munições.

Também são resultados da PRF em 2025 a apreensão de 46 milhões de maços de cigarro, 42 toneladas de cocaína, 717 toneladas de maconha, mais de 6 mil comprimidos de ecstasy e 30 mil metros cúbicos de madeira ilegal. Mais de 213 kg de ouro ilegal foram apreendidos, o que causou um prejuízo de R$ 152 milhões ao crime organizado.

Outros dados consolidados pela PRF de janeiro a dezembro de 2025:

» Apreensão de 123 toneladas de agrotóxico

» Mais de 11 mil animais silvestres resgatados

» 63 fuzis apreendidos

» Mais de 130 mil auxílios a usuários

» Mais de 3 mil detidos por alcoolemia

INVESTIMENTOS FEDERAIS – Para dar sequência ao combate ao crime organizado, em dezembro o Governo do Brasil ampliou os recursos para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen). Os repasses ao FNSP e ao Funpen cresceram 39% em termos reais. Saltaram de R$ 2,4 bilhões em 2022 para R$ 3,33 bilhões em 2025. O FNSP recebeu em 2025 R$ 2,439 bilhões, 21,8% a mais do que em 2022, quando teve R$ 2 bilhões, aumento absoluto de R$ 436 milhões. O Funpen recebeu em 2025 R$ 897,2 milhões, 122,6% a mais do que em 2022, quando teve R$ 403 milhões, aumento de R$ 494 milhões.

O grande crime organizado está no poder econômico, com lavagem de dinheiro em bancos, fintechs e atividades que avançaram, inclusive, sobre saúde e política. A criminalidade, hoje, é internacional. Por isso, é preciso um esforço global e um olhar multidisciplinar. Segurança se faz com planejamento e estratégia”

Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública

Os recursos fortalecem a capacidade operacional das 27 Unidades da Federação, ampliam investimentos em equipamentos e logística e garantem maior eficiência em operações integradas. Os novos valores reforçam ações estratégicas voltadas ao fortalecimento da segurança pública, enfrentamento da criminalidade e melhoria da infraestrutura do sistema penitenciário no País.

“O grande crime organizado está no poder econômico, com lavagem de dinheiro em bancos, fintechs e atividades que avançaram, inclusive, sobre a saúde e a política. A criminalidade, hoje, é internacional. Por isso, é preciso um esforço global e com um olhar multidisciplinar. A segurança se faz com planejamento e estratégia”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

A FNSP é o principal instrumento de financiamento das políticas nacionais de segurança pública, destinado a apoiar estados e o Distrito Federal em iniciativas voltadas ao enfrentamento da criminalidade, valorização dos profissionais de segurança e aprimoramento das capacidades operacionais. Os recursos suplementares reforçam ações essenciais, como aquisição de equipamentos , modernização tecnológica, capacitação, investimentos em inteligência e apoio direto a operações integradas.

O aporte destinado ao Funpen é o terceiro maior fundo a fundo da história do sistema penitenciário, o que possibilita a ampliação de vagas, aprimoramento das unidades prisionais, investimentos em tecnologia e segurança, políticas de reinserção social e outras ações voltadas à melhoria da gestão prisional. A medida reforça o compromisso do Governo do Brasil de qualificar a execução das políticas de segurança pública e consolidar um planejamento orçamentário alinhado às necessidades do setor, permitindo o avanço em iniciativas estratégicas que impactam a proteção da população.

SOCIEDADE – “A crescente complexidade da criminalidade, exacerbada pela digitalização, tem transformado o cenário da segurança pública. O combate ao crime exige uma abordagem que transcende ações estatais. É imprescindível que a sociedade participe ativamente. A Constituição estabelece que a segurança pública é dever do Estado, mas responsabilidade de todos”, explicou o ministro Ricardo Lewandowski.

O secretário Nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, ressaltou a centralidade da pesquisa científica, da inteligência policial qualificada e da integração entre instituições para transformar realidades. “Estamos mostrando que é possível retomar territórios dominados por facções com base em dados, planejamento e ação policial não letal”, defendeu. Sarrubbo compartilhou o exemplo da recente ação Território Seguro, bem-sucedida no Rio Grande do Norte: “Realizamos uma operação com 150 prisões, sem um único disparo e mortes. E, pela primeira vez, moradores disseram: ‘Antes, ouvíamos o barulho dos tiros; agora, voltamos a ouvir o barulho dos pássaros’”.

APREENSÃO E RETORNO – A Diretoria de Gestão de Ativos e Justiça da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça alcançou resultados históricos em 2025, na gestão e na alienação de bens apreendidos do crime organizado. Ao longo de 2025, a DGA realizou 502 leilões, recorde histórico que resultou na alienação de mais de 10.990 ativos. Entre os destaques do ano estão a venda de 51 imóveis vinculados ao tráfico de drogas e a arrecadação de mais de R$ 104 milhões em leilões de ativos desse tipo de crime — o maior valor já registrado.

OPERAÇÕES – Recentes operações coordenadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, causaram enorme prejuízo ao crime organizado, e sem o uso de força letal, como a Renorcrim (que levou à perda de R$ 355 milhões pelo crime organizado) e a FARO – Fronteiras e Divisas Alertas com Rastreio Olfativo, que descapitalizou o crime organizado em R$ 78 milhões. Em paralelo, ações com participação da Receita Federal e outros órgãos federais em parceria com outras instituições levaram a resultados inéditos na descapitalização do crime organizado.

Realizamos uma operação com 150 prisões, sem um único disparo e mortes. E, pela primeira vez, moradores disseram: ‘Antes, ouvíamos o barulho dos tiros; agora, voltamos a ouvir o barulho dos pássaros'"

Mario Sarrubbo, secretário Nacional de Segurança Pública

RENORCRIM – A terceira edição da Operação Renorcrim consolidou o avanço no enfrentamento às organizações criminosas no Brasil. Realizada entre 24 de novembro e 5 de dezembro, mobilizou Polícias Civis das 27 Unidades da Federação, sob a liderança da Secretaria Nacional de Segurança Pública. O impacto financeiro estimado às estruturas operacionais e econômicas do crime organizado é de R$ 355 milhões.  Ao longo da operação, foram realizadas 603 prisões, além da apreensão de 202 armas de fogo, entre as quais oito fuzis, e 14.139 munições. As forças de segurança retiraram de circulação cinco toneladas de drogas, impactando o abastecimento do mercado ilegal e a capacidade operacional das organizações criminosas. No eixo patrimonial, a Operação Renorcrim apreendeu 387 veículos e 21.041 outros bens, avaliados em mais de R$ 79 milhões. Houve representação judicial para o bloqueio de R$ 838 milhões em ativos financeiros, dos quais R$ 196 milhões já se encontram bloqueados.

FARO – A Operação Faro - Fronteiras e Divisas Alertas com Rastreio Olfativo, realizada entre 1º e 12 de dezembro de 2025, teve atuação em 13 estados e causou prejuízo estimado de R$ 78,1 milhões ao crime organizado. Desse total, R$ 59,9 milhões estão diretamente relacionados ao tráfico de drogas. A operação ocorreu nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins, e teve como objetivo a repressão a crimes transnacionais e interestaduais, além do enfrentamento ao contrabando e descaminho, aliando fiscalização, inteligência policial e ações preventivas em comunidades escolares. Durante os 12 dias de operação, foram apreendidos 6,8 mil quilos de entorpecentes, dos quais: 6.074,94 kg de maconha; 445,13 kg de skunk; e 507 unidades de drogas sintéticas. Além disso, 63 pessoas foram presas ou apreendidas, sendo 50 prisões em flagrante.

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Fonte: Min. Justiça e Segurança Pública

QUASAR, TANK E CARBONO OCULTO - Deflagradas com o objetivo de desarticular organizações criminosas envolvidas em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e fraudes no setor de combustíveis. Somadas, as três operações resultaram no cumprimento de mais de 400 mandados judiciais, incluindo seis de prisão e centenas de buscas e apreensões, em pelo menos oito estados. As medidas judiciais levaram ao bloqueio e sequestro de mais de R$ 3,2 bilhões em bens e valores. As investigações apontam ainda que os grupos criminosos movimentaram, de forma ilícita, aproximadamente R$ 140 bilhões, configurando uma das maiores ofensivas já feitas contra o crime organizado no setor de combustíveis. Operação envolveu Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal, o Ministério da Fazenda e a Receita Federal, em parceria com outros órgãos.

NO CONGRESSO - O Governo do Brasil também atua em outras frentes para reforçar a segurança pública e combater o crime organizado. Exemplo são dois projetos específicos que tiveram a votação adiada na Câmara dos Deputados para 2026. A PEC da Segurança (PEC 18/2025), que defende a integração federativa e o fortalecimento do Susp, foi adiada para votação em fevereiro de 2026. Já a deliberação sobre o PL Antifacção (PL 5582/2025), que trata do combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, foi adiada para o primeiro trimestre de 2026.

" O crime organizado é um atraso para qualquer sociedade. É uma violência contra a economia dos estados, contra a liberdade. Hoje, as facções criminosas competem com o Estado. Elas têm drone, inteligência, coisas que, muitas vezes, as forças policiais não têm. Nós vamos assumir esse combate de corpo e alma”, disse o presidente Lula, em entrevista à TV Verdes Mares, do Ceará, em dezembro de 2025. Lula enfatizou que o Governo do Brasil trabalha para fortalecer a Polícia Federal e redefinir o papel da União no combate à criminalidade, hoje uma atribuição em grande parte dos estados. Ele citou PEC da Segurança Pública como uma das ferramentas. “O caminho é esse: estamos fortalecendo a Polícia Federal. Na medida em que a PEC for aprovada, ela vai dizer qual é o papel da União no combate à violência criminal no Brasil”, explicou Lula.

Outras iniciativas para combate ao crime organizado:

AMAZÔNIA LEGAL - Os recursos do FNSP são usados de maneira estratégica na articulação de ações voltadas ao enfrentamento do crime organizado, à proteção do meio ambiente e ao fortalecimento da presença do Estado na região. Cerca de R$ 3 bilhões foram transferidos aos nove estados da região, o que permite investimentos em tecnologia, infraestrutura e modernização operacional. Entre os avanços estão:

» Instalação de centros de comando e controle

» Criação de unidades de gerenciamento de fronteiras

» Aquisição de lanchas blindadas, veículos e armamentos

» Renovação de frotas e equipamentos para perícias criminais e para os Corpos de Bombeiros Militares

» Investimentos em uniformes, munições, sistemas de comunicação, saúde e logística

Nos últimos dois anos, foram aplicados R$ 258 milhões em ações coordenadas, gerando um impacto estimado de R$ 5,5 bilhões sobre atividades do crime organizado. Os dados indicam uma relação direta entre investimento e efeito: para cada R$ 1 investido, R$ 22 são retirados das organizações criminosas, segundo levantamento da Senasp.

CAPTURA - O Governo do Brasil lançou em dezembro de 2025 o Projeto Captura. A ação é voltada à identificação, localização e prisão de criminosos de alta periculosidade. A medida pretende cumprir mandados de prisão cuja execução é estratégica para enfrentar organizações criminosas e reduzir a criminalidade violenta. O programa é coordenado pela Senasp. Uma de suas ferramentas é o site ‪ gov.br/captura, que reúne, de forma integrada e transparente, uma lista com os 216 foragidos mais procurados do País. Cada Unidade da Federação indicou oito alvos, após avaliar aspectos como gravidade e natureza do crime, vinculação com organizações criminosas, existência de múltiplos mandados de prisão e atuação interestadual. Denúncias anônimas podem ser feitas pelos canais 190 e 197.

INTELIGÊNCIA - O Sistema Nacional de Inteligência para Enfrentamento ao Crime Organizado (Orcrim) foi instituído pelo MJSP em dezembro de 2025. A medida cria um repositório de informações de inteligência para o combate às organizações criminosas. O sistema tem como objetivos promover a integração entre os órgãos de segurança, permitir a interoperabilidade entre bancos de dados e unificar metodologias de identificação de indivíduos ligados a estruturas criminosas. O acesso é restrito às agências de inteligência da PF, PRF, Polícias Civis e Militares dos estados e do DF, além das secretarias estaduais de segurança pública e dos sistemas penitenciários.

TERRITÓRIO SEGURO - O projeto-piloto de retomada de territórios está sendo testado numa área conflagrada do Rio Grande do Norte, em uma comunidade com mais de 44 mil pessoas. O objetivo é levar policiamento e serviços públicos a áreas dominadas por facções. Desenvolvido com a Universidade de São Paulo (USP), o projeto prevê duas fases. A primeira, focada na operação policial, ocorreu em 15 de outubro e resultou em mais de 150 prisões, sendo sete lideranças de facções, com zero letalidade. Foram apreendidas mais de duas toneladas de drogas e R$ 890 mil em bens ilegais. A segunda fase tem como objetivo instalar os serviços que estruturam a presença do Estado.

QUALIFICAÇÃO DO USO DA FORÇA - Tem como objetivo padronizar abordagens policiais, com base em protocolos nacionais e internacionais. O projeto já foi implantado em 21 UFs (Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão) e já teve investimento de R$ 96 milhões para a compra de equipamentos de menor potencial ofensivo, entre os quais 207 mil espargidores e 17.486 armas de incapacitação neuromuscular. A medida busca reduzir a letalidade policial e aumentar a segurança jurídica dos profissionais.

CÂMERAS CORPORAIS - Tem como objetivo ampliar o uso de câmeras nos uniformes policiais para registrar abordagens, proteger os agentes e qualificar as provas criminais. Onze UFs já aderiram (Acre, Roraima, Pará, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Bahia, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Pernambuco) e R$ 155,2 milhões foram repassados aos entes federados. Desde 2024, 1.061 profissionais foram capacitados.

MUNICÍPIO MAIS SEGURO - Lançado em outubro de 2025, o programa busca fortalecer a segurança pública municipal e valorizar as Guardas Municipais como parte integrante do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Em sua primeira etapa, o programa vai contemplar 213 cidades em que as Guardas Municipais têm efetivo superior a 100 profissionais. O investimento é de mais de R$ 171 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).

POLÍCIA COMUNITÁRIA - Tem como objetivo fomentar a prevenção e o enfrentamento da violência e da criminalidade, por meio de ações de Polícia Comunitária, com prestação de serviços e a construção de vínculos entre as instituições de segurança pública e a comunidade. A iniciativa prevê que sejam ofertadas, em territórios vulneráveis, ações de proteção aos cidadãos, como a Patrulha Maria da Penha, rondas escolares, visitas a moradores, associações de bairros, comerciantes, clubes e organizações sociais.

INTEGRAÇÃO DE DADOS PERICIAIS - É uma iniciativa conjunta do Governo do Brasil, estados e DF para a análise forense de dados pelas Polícias Científicas nas áreas química, toxicológica, medicinal e epidemiológica. O objetivo é melhorar e racionalizar os recursos nacionais, ampliando a capacidade, melhorando a qualidade e diminuindo o tempo de resposta às demandas de saúde e segurança pública sobre o tema.

OBSERVATÓRIO DE INFORMAÇÕES SOBRE DROGAS - É uma plataforma com painéis interativos com informações sobre consumo de drogas, impactos na saúde, apreensões e indicadores do sistema criminal. O Obid tem três seções temáticas. A Seção Mulheres reúne informações sobre padrões de consumo, vulnerabilidades, violência de gênero, encarceramento e barreiras de acesso a serviços, contribuindo para análises e políticas sensíveis à perspectiva de gênero. A Seção Álcool consolida evidências relacionadas ao uso de álcool, incluindo padrões de consumo, danos, mortalidade, comportamento de risco e indicadores regionais. Já a Seção Amazônia integra dados e estudos sobre o mercado de drogas na Amazônia Legal, abordando rotas, apreensões, impactos socioambientais, presença do crime organizado e vulnerabilidades.

PERÍCIA CRIMINAL - O objetivo do Projeto Nacional de Fortalecimento da Perícia Criminal é fortalecer a qualidade e a efetividade das provas técnicas produzidas pelas perícias criminais, a partir da capacitação dos profissionais, produção de normativas, diretrizes e procedimentos operacionais padrão, além de aquisição e doação de materiais e equipamentos. Em 2025, foram investidos R$ 20 milhões em insumos, materiais, equipamentos e na execução de cursos de capacitação, treinamentos e formação.

GESTÃO DE ATIVOS - O Ministério da Justiça e Segurança Pública promove o Ciclo Virtuoso de Gestão de Ativos, reinvestindo em ações de segurança pública os valores recuperados do crime organizado. Um dos eixos é a modernização das perícias. Os valores decorrentes da alienação dos bens apreendidos são repassados às polícias para aprimorar a atividade policial. Em 2024 e 2025, foram repassados R$ 7,4 milhões aos estados. Os recursos permitem o aparelhamento das unidades de repressão ao tráfico e o fortalecimento das polícias científicas, por meio da aquisição de equipamentos capazes de identificar novos tipos de drogas e kits que facilitam o dia a dia da atividade policial.

MIGRANTES - O ministério também coordena e implementa políticas voltadas à proteção, integração e garantia de direitos de migrantes, refugiados e apátridas. Instrui, analisa e decide processos relacionados à nacionalidade, naturalização, reconhecimento da condição de refugiado, apatridia, autorização de residência e outros temas da esfera migratória, além de formular e apoiar ações que promovam os direitos e a integração social e laboral dessas pessoas no país. O ministério colabora, ainda, com organismos internacionais — como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) — para produzir relatórios, dados e materiais que apoiam a formulação de políticas, bem como monitoramento e divulgação de informações sobre o perfil da população refugiada, migrante e apátrida.

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