Brasil segue no radar de grandes investidores e fecha 2025 com cenário positivo nas telecomunicações
Setor avança em infraestrutura, atrai capital e mantém ambiente competitivo em banda larga fixa, aponta relatório do 4º trimestre
O setor de telecomunicações encerrou 2025 com desempenho sólido, expansão contínua de infraestrutura e indicadores que reforçam a confiança de investidores no mercado brasileiro. O mais recente Relatório de Monitoramento da Competição da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), vinculada ao Ministério das Comunicações, divulgado nesta segunda-feira (19/1), apresenta um panorama detalhado do ambiente competitivo e dos movimentos estratégicos que vêm moldando o setor.
O estudo aponta que a telefonia móvel voltou a registrar crescimento, ainda que moderado, após a retração observada em 2024. O mercado fechou o último trimestre do ano com alta de 0,01% no número de acessos e de 0,03% no acumulado dos últimos doze meses.
No total, foram adicionadas 1,69 milhão de novas linhas no trimestre e 6,83 milhões ao longo de 2025, impulsionadas pelo aumento do consumo de dados e pela migração para planos pós-pagos.
O setor permanece concentrado em três grandes grupos econômicos, responsáveis por cerca de 94% da base ativa. A disputa entre as operadoras vem se intensificando no campo da qualidade de rede, oferta de serviços digitais e monetização do tráfego de dados, estratégias alinhadas à expansão do 5G no interior e ao uso crescente de smartphones.
Na banda larga fixa, o cenário é oposto: o mercado se mantém como o ecossistema mais competitivo do setor. O Brasil fechou o ano com 52,9 milhões de acessos, queda de 0,7% no trimestre, mas crescimento de aproximadamente 750 mil novos usuários no acumulado de 2025.
O relatório destaca o papel das pequenas e médias empresas, responsáveis por mais de 63% das conexões e presentes em todas as regiões do país. Mesmo em um período de consolidações e fusões, os provedores independentes seguem movimentando o mercado e ampliando oferta em áreas antes sem cobertura.
As transformações também são evidentes na forma como o brasileiro consome serviços. A TV por assinatura tradicional segue em queda, sendo substituída por streaming, que já representa cerca de 90% das assinaturas audiovisuais. Na mesma direção, serviços de voz migraram para aplicativos OTT, consolidando pacotes centrados no uso intensivo de dados.
O relatório observa ainda o crescimento acelerado do mercado de dispositivos, hoje peça-chave para modelos de negócios. A presença de celulares irregulares preocupa: estimativas da Abinee mostram que um em cada quatro smartphones em uso no país não é homologado, somando quase 11 milhões de aparelhos.
O levantamento reafirma que o Brasil segue como um dos destinos mais atrativos do mundo para expansão em telecom. A malha de fibra óptica já cobre 4.645 municípios, mais de 83% do território nacional, habilitando a chegada de redes mais modernas e sustentando a aceleração do 5G.
Além dos números consolidados, empresas de grande porte e operadoras regionais anunciaram novos investimentos, lançamento de debêntures e expansão de redes ao longo do ano, reforçando a confiança do mercado no ambiente regulatório e nas políticas públicas de conectividade adotadas no país.
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