Hospital da Ebserh desenvolve antígeno para micose que atinge populações rurais
Desde 2018, o laboratório de referência em paracoccidioidomicose da Universidade Federal de Mato Grosso já realizou aproximadamente 1.700 exames de sorologia, com cerca de 160 diagnósticos confirmados
O Hospital Universitário Júlio Müller da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares ( Ebserh ) atua na assistência e pesquisa sobre a paracoccidioidomicose, doença fúngica grave e negligenciada. Ela afeta principalmente trabalhadores rurais, garimpeiros e pessoas em contato frequente com o solo.
A paracoccidioidomicose é causada por fungos do gênero Paracoccidioides , presentes no solo, e adquirida pela inalação de esporos. Ao penetrar nos pulmões, os esporos se transformam na forma parasitária e provocam a doença. Embora em muitos casos a manifestação seja pulmonar, a infecção pode se espalhar para outros órgãos, incluindo pele, ossos, olhos e até o sistema nervoso central — quadro conhecido como neuroparacoccidioidomicose, forma mais grave da doença.
Considerada a micose sistêmica que mais mata no Brasil, a doença pode permanecer silenciosa por anos e, quando diagnosticada tardiamente, provoca sequelas graves e irreversíveis.
O trabalho é desenvolvido no laboratório de referência em paracoccidioidomicose, vinculado ao HUJM-UFMT e à Faculdade de Medicina da UFMT, coordenado pela professora e pesquisadora Rosane Hahn. Com mais de 30 anos de dedicação à micologia médica, a docente foi responsável pela descoberta do Paracoccidioides lutzii , espécie predominante no Centro-Oeste.
A nova espécie identificada tem sido responsável por casos em que pacientes apresentam sintomas clínicos clássicos — como tosse persistente, lesões na mucosa oral e nasal, aumento de gânglios cervicais e emagrecimento acentuado.
Desde 2018, o laboratório já realizou aproximadamente 1.700 exames de sorologia, com cerca de 160 diagnósticos confirmados. Em 2024, a equipe iniciou um projeto de rastreamento em áreas rurais de Mato Grosso, voltado a agricultores, com o objetivo de antecipar o diagnóstico e o tratamento da doença.
Com o apoio do Ministério da Saúde, a equipe do HUJM-UFMT desenvolveu um antígeno laboratorial específico capaz de detectar tanto a P. lutzii quanto outras espécies do complexo Paracoccidioides . O material foi entregue ao Ministério da Saúde no final de 2025.
A nova tecnologia deve beneficiar os Laboratórios Centrais de Saúde Pública ( Lacens ) em diversos estados e facilitar o trabalho de profissionais que atuam em regiões onde a infraestrutura laboratorial é limitada.
Por Ebserh
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