Meio ambiente

Brasil e Índia lançam a Rede Aberta de Inteligência Planetária

A iniciativa busca acelerar a implementação do Acordo de Paris e alavancar a Infraestrutura Pública Digital em países em desenvolvimento

Agência Gov | Via COP 30
22/02/2026 19:30
Brasil e Índia lançam a Rede Aberta de Inteligência Planetária
Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula posa para fotografia oficial de chefes de Estado, de Governo e ministros, em Nova Délhi, na Índia

No contexto da visita de estado do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia e impulsionados pelos avanços discutidos na Cúpula sobre Impacto da IA, Brasil e Índia lançam a Rede Aberta de Inteligência Planetária (OPIN) — uma iniciativa que mobiliza a Infraestrutura Pública Digital (DPI, na sigla em inglês) para acelerar o desenvolvimento sustentável e a implementação climática em benefício do Sul Global.

A OPIN integra as agendas digital e climática em uma estratégia única de implementação, alinhada aos objetivos de longo prazo do Acordo de Paris. Ao fazer isso, busca impulsionar o desenvolvimento, reduzir a pobreza e fortalecer a resiliência coletiva. A iniciativa dá continuidade a marcos multilaterais recentes — como a Presidência da Índia no G20 em 2023 e a do Brasil no G20 em 2024 e na COP30 em 2025 — que reforçaram a necessidade de acelerar a implementação climática com base em abertura, inclusão e uso de capacidades digitais compartilhadas.

“A OPIN reflete uma mudança estrutural mais profunda, com a crescente integração das transições digital e climática em uma agenda planetária compartilhada, alinhada ao Acordo de Paris e à Agenda 2030”, afirmou Túlio Andrade, Diretor de Estratégia e Alinhamento da COP30.

O Acordo de Paris vem cumprindo seu propósito central de mobilizar a ação climática global — mas é necessário acelerar o ritmo da implementação para evitar níveis perigosos de aquecimento do planeta. As tecnologias digitais, especialmente a Infraestrutura Pública Digital, oferecem um caminho estruturante para assegurar a velocidade, a escala e a coordenação necessárias à implementação de ações de baixo carbono e ao fortalecimento da resiliência climática em todo o mundo.

Fundamentada em arquiteturas digitais abertas, a OPIN apoiará a integração de informações climáticas e de desenvolvimento em múltiplas escalas — do monitoramento em tempo real de emissões e sistemas de energia renovável à criação de plataformas digitais que viabilizem intervenções mensuráveis de redução de emissões, fortalecimento da resiliência e mobilização de recursos.

Ao viabilizar fluxos de informação confiáveis e acessíveis, a OPIN contribuirá para transformar dados fragmentados em inteligência planetária orientada à ação — acelerando a mobilização de financiamento, tecnologia e recursos de capacitação em todo o Sul Global.

A DPI já demonstrou potencial transformador em escala nacional. No Brasil, o ecossistema de pagamentos digitais PIX expandiu rapidamente a inclusão financeira e a eficiência econômica. Na Índia, o India Stack — que combina identidade digital universal (Aadhaar), pagamentos interoperáveis e protocolos de compartilhamento de dados — integrou centenas de milhões de pessoas aos sistemas formais financeiros e econômicos.

Em escala planetária, a Infraestrutura Pública Digital pode criar uma nova camada de inteligência compartilhada para acelerar a implementação de ações climáticas. Na prática, isso inclui sistemas de alerta precoce em tempo real, incentivos financeiros e créditos de carbono para produtores que adotam práticas sustentáveis, mercados de energia descentralizados que permitem a participação de famílias na geração e comercialização de energia e plataformas interoperáveis capazes de agilizar o acesso a financiamento e tecnologia climática.

Iniciativas já existentes demonstram esse potencial. A Aliança Solar Internacional está integrando sistemas digitais para acelerar a expansão da energia solar e ampliar a inclusão energética. O Brasil está utilizando a Infraestrutura Pública Digital para operacionalizar o Código Florestal por meio do Cadastro Ambiental Rural, fortalecendo a governança do uso da terra e a transparência.

Por meio da OPIN, Brasil e Índia convidam parceiros do Sul Global e da comunidade internacional a colaborar na construção de uma base digital aberta, inclusiva e soberana, para fortalecer a inteligência planetária e acelerar o desenvolvimento sustentável e a implementação climática em escala global.

“Este parece ser o momento em que começamos a garantir que o futuro da inteligência seja coletivo, aberto e planetário — em benefício de todas as pessoas”, concluiu Túlio Andrade, que continuará a mobilizar o engajamento de parceiros da OPIN como parte do esforço da Presidência da COP30 para acelerar a ação climática.

Link: https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/apos-a-cop30-e-a-cupula-sobre-impacto-da-ia-brasil-e-india-lancam-a-rede-aberta-de-inteligencia-planetaria-opin
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