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Coordenados pelo Ipea, especialistas elaboram recomendações para lideranças do Brics

Recomendações referem-se às prioridades da presidência brasileira, entre elas cooperação em saúde global, mudança do clima e governança da inteligência artificial.

Agência Gov | Via Brics Brasil
27/02/2025 13:11
Coordenados pelo Ipea, especialistas elaboram recomendações para lideranças do Brics
Helio Montferre/Ipea
Recomendações serão preparadas para a Cúpula de Chefes de Estado, no Rio

Para construir recomendações às lideranças do Brics alinhadas às melhores práticas e evidências, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reuniu mais de 40 especialistas, de aproximadamente 15 instituições. Eles participaram de cinco oficinas temáticas, que refletem a maior parte das prioridades da presidência brasileira no grupo: cooperação em saúde global; comércio, investimentos e finanças; mudança do clima; governança da inteligência artificial; e desenvolvimento institucional.

A partir das discussões realizadas nas oficinas, as propostas de recomendações serão consolidadas e enviadas para deliberação do Conselho de Think Tanks do Brics (BTTC), grupo presidido pelo Ipea, que reúne instituições representantes dos países membros.

Após negociações no âmbito do BTTC, elas serão encaminhadas, até o dia 1º de abril, ao sherpa brasileiro junto ao Brics, Mauricio Lyrio, que conduzirá as recomendações aos líderes do agrupamento. Os embaixadores que ocupam essa função são responsáveis por representar os países no grupo, articulando acordos, mediando interesses e definindo agendas antes da Cúpula final dos Chefes de Estado, que será em julho, no Rio de Janeiro.

Oficinas

O ciclo de oficinas foi encerrado com a discussão sobre cooperação em saúde global, que reuniu representantes do Ipea, da Fiocruz e do Brics Policy Center da PUC-Rio. Os participantes trataram de recomendações sobre saúde digital, alerta precoce integrado, inteligência artificial, desenvolvimento, produção e acesso a vacinas, medicamentos e testes para diagnóstico, entre outras.

A presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, que é especialista em economia da saúde, conduziu as discussões junto com o Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris) da Fiocruz. Ela lembrou que, depois de encaminhar as recomendações ao BTTC, as instituições envolvidas podem trabalhar na construção de entregas mais detalhadas e nos mecanismos de monitoramento.

Também foram realizadas oficinas relacionadas aos demais temas, como a discussão sobre comércio, investimentos e finanças, abordando questões como cooperação no comércio digital, fluxos de investimento, papel do Novo Banco de Desenvolvimento, uso de moedas locais e aprimoramento dos sistemas de pagamento transfronteiriços.

Outro debate tratou de questões relativas ao desenvolvimento institucional, como transparência e eficiência na governança do Brics, criação de suporte técnico, digitalização e adaptação institucional para mais estabilidade e resiliência.

A mudança do clima também foi ponto das oficinas, com abordagens que incluíram financiamento para transição sustentável, expansão de energias renováveis, diplomacia climática, conservação da biodiversidade e segurança alimentar.

Por fim, o trabalho foi voltado à inteligência artificial, com discussões sobre regulação, infraestrutura digital, cibersegurança, cooperação tecnológica, governança de dados e inclusão digital no desenvolvimento de novas tecnologias.

Além dos cinco temas tratados nas oficinas promovidas pelo Ipea, também está entre as prioridades da presidência brasileira uma reforma abrangente da arquitetura multilateral de paz e segurança, para garantir atuação eficaz no enfrentamento de conflitos, evitar catástrofes humanitárias, retomar a diplomacia e impedir a eclosão de novas crises.

O Brics

Originalmente composto por Brasil, Rússia, Índia e China, o Brics se expandiu pela primeira vez com a admissão da África do Sul, em 2011. Hoje, são 11 países membros que compreendem quase metade da população e 39% do PIB global (em paridade do poder de compra).

Além dos cinco primeiros membros, o agrupamento é formado por Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Há, ainda, nove países com o status de parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.


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