Em evento da DPU, ministra defende ações intersetoriais contra abusos e feminicídios
No debate, a titular do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Macaé Evaristo, exaltou trabalho realizado junto à Defensoria Pública da União (DPU) na defesa principalmente das mulheres negras e em situação de vulnerabilidade

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, participou, nesta terça-feira (18), em Brasília, da abertura do Ciclo de Palestras da Escola Nacional da Defensoria Pública da União (ENADPU), que integra a campanha "DPU por Elas: Igualdade e Respeito".
O evento, promovido pela Defensoria Pública da União (DPU), tem como objetivo debater a atuação da instituição a partir da perspectiva de gênero, com foco no combate ao assédio e à violência política de gênero, e na construção de ambientes de trabalho seguros e inclusivos para mulheres.
Em discurso, a ministra ressaltou que, apesar dos avanços institucionais, há desafios urgentes, como os altos índices de feminicídio e violência sexual contra meninas no Brasil.
“Isso pede de nós uma ação cada vez mais articulada, do ponto de vista das políticas públicas, uma ação intersetorial – e aqui eu quero dizer do grande esforço da ministra Cida Gonçalves –, mas nós precisamos nos organizar de maneira coletiva para colocar fim à violência contra as mulheres”, disse Macaé Evaristo ao chamar atenção para a necessidade de um trabalho transversal neste enfrentamento, englobando diversos órgãos do poder público.
A titular do MDHC citou o caso da jovem de 21 anos, Clara Maria, que foi morta e enterrada em Belo Horizonte, ao enfatizar que é essencial uma força tarefa para impedir que casos como este aconteçam, e para garantir que não haja impunidade nestas situações. “A gente não pode deixar que esses casos vão para debaixo do tapete, e que essas pessoas não sejam devidamente responsabilizadas, condenadas, e paguem pelos crimes que cometeram”, disse.
Macaé Evaristo frisou ainda a importância da parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e a DPU na garantia de prerrogativas e no enfrentamento das desigualdades que atingem, sobretudo, as mulheres negras e em situação de vulnerabilidade.
Participaram da mesa de abertura a corregedora-geral federal da DPU, Flávia Magir; a embaixadora do Timor-Leste em Brasília, Maria Ângela Carrascalão; a presidente da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais (ANADEF), Luciana Dytz; a juíza Auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luciana Rocha; e a oficial de Gênero e Raça do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ismalia Afonso.
Campanha “DPU por Elas"
Em alusão ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a campanha busca promover ações educativas que incentivem a reflexão, a conscientização e a implementação de medidas para o combate ao assédio moral e sexual, além da adoção da perspectiva de gênero na atuação da Defensoria.
Ao longo do período da campanha, serão lançados materiais educativos, como cartilhas, manuais e reportagens, além de áudios e vídeos que serão disponibilizados no site e nas redes sociais da DPU.
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