Sandro, agricultor de Santana do Livramento, faz parte do PAA. A renda dele cresceu
Sandro Roberto Leal e a família viram a produção e as vendas do lote que têm no assentamento melhorarem depois que passaram a fornecer para o Programa de Aquisição de Alimentos

Assentados da reforma agrária, por meio de suas organizações, podem inscrever propostas para acessar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea, até o dia 31 de março de 2025.
Os projetos devem ser encaminhados para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), gestora do programa, por meio do sistema PAAnet.
A Compra com Doação Simultânea tem como finalidade o apoio aos agricultores familiares, por meio de cooperativas e associações, a partir da compra de sua produção. Os alimentos adquiridos são destinados ao abastecimento da rede socioassistencial e de Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional, como restaurantes populares e cozinhas solidárias.
História de vida
Para quem participa, é uma importante forma de comercialização. E esse é o caso de Sandro Roberto Leal, que vende por meio do PAA desde que o programa iniciou, há cerca de 20 anos. Ele já iniciou 2025 entregando para entidades sociais morangas/abóboras, melancias e cebolas orgânicas, produzidas no seu lote no assentamento Frutinhas, localizado no município de Santana do Livramento. A cidade fica no extremo Sul do estado, na fronteira com o Uruguai e distante cerca de 500 quilômetros da capital Porto Alegre.
As entregas são viabilizadas por meio da Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste (Coperforte), que tem duas operações do PAA formalizadas ainda em 2023 e válidas até outubro e dezembro deste ano de 2025.
“A cooperativa busca no lote e entrega nas entidades”, conta o agricultor. As combinações de data e horário são feitas em um grupo de whatsapp. Junto com o pai, que também tem lote no mesmo assentamento, já destinou ao PAA entre janeiro e fevereiro 3.510 kg de abóbora moranga exposição, 8.116 kg de melancia e 500 kg de cebolas. “Conseguimos entregar e sobra produto. Se o limite fosse maior, mais ia”, afirma, referindo-se ao valor máximo que cada agricultor pode receber por ano por meio do PAA: R$ 15 mil.
Planejamento
Quando começou a participar do programa, Sandro ainda mantinha um pomar e entregava pelo PAA pêssegos, uvas e peras. Depois de alguns anos, a produção foi caindo e ele trocou o pomar pelas lavouras, especialmente de moranga e melancia.
A estiagem de 2023 e os eventos climáticos do ano seguinte, com excesso de chuvas, exigiram cuidados no planejamento dos cultivos. “Fico de olho nos prognósticos e faço um cálculo de quanta chuva vai precisar”, explica.
No final de 2024, ele e o pai plantaram de acordo com a previsão do tempo: a melancia foi semeada mais cedo. Colheu frutas de 18kg. As que foram plantadas 20 dias mais tarde, resultaram menores - na média de 10 kg. “É um cultivo de 90 dias, correndo bem o tempo em 70 dias, a lavoura dá bem”, observa.
Importância
Além do PAA, Sandro também participa do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). No lote, além do que é direcionado aos programas, mantém criação de gado de corte – antes trabalhava com leite, mas pela dificuldade de transporte, fez a transição.
Para ele, o PAA é bem mais que garantia de comercialização. “O importante é contribuir com a ação social. Vai colocar alimento para quem tem mais necessidade, creche, hospital. Ajuda bastante na renda do produtor. É um dos melhores projetos que envolve agricultor e sociedade”.
Saiba mais sobre o PAA e as inscrições de projetos no portal da Conab na internet .
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