Saúde

Hospital da Rede Ebserh em Santa Maria (RS) realiza cirurgia em bebê durante parto

Paciente possuía gastrosquise, condição congênita que deixa órgãos expostos fora da parede abdominal.

Agência Gov | Via Rede Ebserh
19/08/2025 15:48
Hospital da Rede Ebserh em Santa Maria (RS) realiza cirurgia em bebê durante parto

O Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade Federal de Santa Maria (Husm-UFSM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou uma cirurgia complexa chamada EXIT-like em um bebê com gastrosquise . Essa é uma condição congênita que deixa órgãos expostos fora da parede abdominal. O procedimento foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e envolveu profissionais de diversas áreas: Medicina Fetal, Obstetrícia, Cirurgia Pediátrica, Pediatria, Anestesia e Enfermagem.

A ginecologista e obstetra do hospital, Caroline Mombaque dos Santos, explicou que “o procedimento Exit consiste em manter a circulação fetoplacentária durante a cesariana até que as vias aéreas ou outras condições do bebê sejam tratadas”. No caso, a técnica permitiu recolocar os órgãos ainda durante o parto, enquanto o bebê recebia oxigênio pela placenta, reduzindo riscos. A sigla Exit vem do inglês ex utero intrapartum treatment, que em tradução livre significa tratamento extraplacentário intraparto.

O planejamento para o procedimento, feito em 1° de agosto, começou durante o pré-natal, com acompanhamento por ultrassonografia para avaliar o momento ideal do parto. “Contamos com equipes de diferentes especialidades, todas cientes do caso desde o início, o que permitiu definir o melhor momento para o nascimento”, afirmou Caroline.

Caroline destacou que a escolha por essa técnica considerou a necessidade de reduzir o inchaço dos órgãos expostos e diminuir riscos no pós-operatório. O exame usado no pré-natal para avaliar o caso foi o Svetliza Reducibility Index (SRI). Segundo a médica, “o exame permite a quantificação da progressão do edema das alças exteriorizadas, avaliando o diâmetro da maior alça dilatada, a espessura da parede desta alça e a avaliação do anel da parede abdominal. Esse exame é realizado rotineiramente no pré-natal”.

Entenda a gastrosquise

Segundo o ginecologista e obstetra e residente de Medicina Fetal do HUSM, Lauro Henrique Heinsch Domenighi , “A gastrosquise é uma malformação fetal que ocorre em cerca de dois a quatro fetos a cada 10 mil gestações, mais comum em gestantes jovens (abaixo de 20 anos)”. Ele explicou que essa abertura deixa órgãos como intestino, estômago, bexiga e, em alguns casos, fígado expostos ao líquido amniótico, o que pode causar inflamação.

O diagnóstico antes do nascimento é importante para definir o tratamento. “A avaliação ultrassonográfica auxilia na decisão sobre o melhor momento para o parto e na possibilidade de reposicionar o conteúdo abdominal ainda com a circulação materna ativa, aumentando as chances de sucesso”, disse Lauro.

O especialista acrescentou que, nos últimos anos, novas formas de acompanhamento durante a gestação, como a ultrassonografia detalhada, ajudam a definir o momento mais seguro para o parto. Isso aumenta as chances de recolocar os órgãos imediatamente, ainda com o bebê ligado à mãe, e reduz complicações.

Importância do trabalho em equipe

Para a ginecologista e obstetra e residente de Medicina Fetal no HUSM, Camila Tirelli Cavalli, “Participar do EXIT-like foi muito enriquecedor. É um procedimento que não vemos com frequência, e acompanhar desde o pré-natal até a cirurgia nos permite entender melhor sua importância e explicar às pacientes”. E ressaltou que o acompanhamento foi contínuo: “Acompanhamos a gestante durante boa parte da gestação e, junto à Cirurgia Pediátrica, definimos o melhor momento para o nascimento. Estar presente na cirurgia foi concluir todo esse cuidado”.

Camila destacou que a presença de diferentes especialidades foi decisiva para o resultado e demonstrou a importância do trabalho conjunto e multiprofissional. “Foi preciso que muitas pessoas trabalhassem em sincronia para garantir o melhor desfecho possível. Cada profissional foi essencial e isso demonstra que o trabalho em equipe é uma das coisas mais importantes em casos delicados como esse, com o conhecimento e responsabilidade”.

Caroline também reforçou que “O trabalho em equipe fortalece os resultados finais para os pacientes. Felizmente contamos com uma equipe especializada, mostrando a importância de manter o vínculo e o fortalecimento entre as especialidades envolvidas”. E, como completou Lauro, “O sucesso depende de um trabalho muito bem coordenado entre todas as equipes envolvidas”.

Sobre a Ebserh

O Husm-UFSM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

Por Andreia Pire/Rede Ebserh

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