MEC se reúne com quilombolas do ES afetados pelo rompimento da barragem de Fundão
Lideranças da região de Sapê do Norte que foram afetados pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em 2015, apresentaram demandas do grupo para a educação escolar quilombola

O Ministério da Educação (MEC) realizou, na quarta-feira (20/8), uma reunião com representantes de comunidades quilombolas do Espírito Santo, da região de Sapê do Norte, que foram afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em 2015. O encontro foi coordenado por membros da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), que ouviram as principais demandas do grupo para a educação escolar quilombola.
A reunião aconteceu no âmbito do Acordo Judicial para Reparação Integral e Definitiva relativo ao rompimento da barragem de Fundão, homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Seu anexo 3 trata especificamente dos povos indígenas, comunidades quilombolas e povos e comunidades tradicionais que foram atingidos, reconhecendo que esses grupos foram impactados de forma diferenciada e precisam de reparação cultural, territorial e social específica.
Estavam presentes na reunião Domingas dos Santos, da Comunidade do Coxi; Eula dos Santos, do Córrego do Alexandre; Dayanne Pereira, de Barreiras; Domingos dos Santos, de Angelim Disa; Gerliandra de Assis, de Beira Rio; José Caetano, do Córrego Seco; Benedito Filho, do Córrego do Chiado; Natival Aires, de Nova Vista; Janaina Faria e Saulo da Silva, ambos da Assessoria de Desenvolvimento Agrícola Interestadual.
Domingas dos Santos, representante da comunidade do Coxi, destacou o papel fundamental da modalidade de educação na preservação da cultura e tradições dos povos quilombolas: “nossos filhos estão sendo levados para as escolas urbanas e tratados como alunos urbanos. Ensinamos todas as nossas tradições e cultura e, quando eles chegam lá, isso se perde”.
Na ocasião, os participantes foram apresentados às principais políticas, programas e ações do MEC para o fortalecimento e ampliação da educação escolar quilombola. Entre elas, está a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq) , que tem o objetivo de implementar ações e programas educacionais voltados à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo nos ambientes de ensino, bem como à promoção da política educacional para a população quilombola.
Ações – Outras ações do MEC são voltadas às comunidades quilombolas, como a Escola Nacional Nego Bispo , que tem o objetivo de valorizar e integrar os saberes tradicionais na formação acadêmica de estudantes de licenciatura das instituições públicas de ensino superior e nos institutos federais, estimulando a atuação de mestres e mestras de saberes tradicionais no ensino, pesquisa e extensão.
A Secadi também ofertou, entre os anos de 2023 e 2025, 34 cursos de aperfeiçoamento em educação escolar quilombola. Outros dez serão realizados entre 2025 e 2026, um deles no Espírito Santo, com total de 150 vagas para profissionais da educação com atuação em escolas quilombolas.
O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), além de contar com 54 professores quilombolas entre os avaliadores dos livros didáticos, realiza letramento racial para os demais avaliadores a fim de promover a educação antirracista a partir da distribuição de materiais escolares que estejam alinhados com a Pneerq.
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