Relações exteriores

Lula exalta potencial econômico de Moçambique e África em encontro empresarial

Presidente destacou urgência de maior proximidade entre América do Sul e África e apontou sinergia de investimentos e parcerias entre Brasil e Moçambique

Agência Gov | Via Planalto
24/11/2025 18:49
Lula exalta potencial econômico de Moçambique e África em encontro empresarial
Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula durante o encerramento do encontro empresarial Brasil–Moçambique, em Maputo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (24/11) do encerramento do encontro empresarial Brasil-Moçambique, em Maputo, capital do país africano. O evento dá sequência à ampla agenda de Lula pelo Continente Africano, onde já participou da Cúpula do G20, teve encontros bilaterais com líderes de seis países e compareceu ao encontro da Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), além de ter feito declaração à imprensa ao lado do presidente moçambicano, Daniel Chapo, e assinado com ele nove atos de cooperação.

Durante o encontro com empresários de Brasil e Moçambique, Lula reafirmou ser entusiasta da relação com a África, pregou maior proximidade entre as duas nações e lembrou que, desde que reassumiu a presidência brasileira, esteve na África do Sul duas vezes e visitou Angola, Egito, Etiópia e São Tomé e Príncipe.

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Minha visita a Maputo faz parte do esforço para reverter um distanciamento que jamais poderia ter ocorrido. Há alguns anos, nosso comércio com Moçambique foi de quase US$ 170 milhões. Em 2024, somente 40 milhões. Nossa pauta, que já incluiu aviões, hoje está centrada em poucos produtos, a maioria agrícola: exportamos frango e compramos tabaco”, relatou o presidente.

“Fazer visitas à África é pagar uma dívida histórica que não é mensurada em dinheiro. Uma dívida de 350 anos de escravidão que o Brasil deve ao povo africano o seu jeito de ser, grande parte da sua cultura, a sua cor, o seu sorriso, as suas virtudes e os seus defeitos. Nós devemos muito ao continente africano. E você não pode pagar isso em dinheiro. Você tem que pagar com amizade, com solidariedade e com transferência de tecnologia”, emendou.

O presidente citou que, em 2024, o Brasil exportou mais para a Tanzânia (US$ 49,4 milhões) ou para Serra Leoa (US$ 62,5 milhões) do que para Moçambique (US$ 37,8 milhões) e defendeu que o dinamismo da África exige um olhar diferenciado do setor privado.

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Fiz questão de vir a Moçambique acompanhado de uma delegação de ministros e de empresários brasileiros das mais diversas áreas. Temos aqui conosco hoje algumas das nossas maiores empresas, que representam o melhor da capacidade produtiva, científica e tecnológica do Brasil”, listou Lula.

ATUALIZAÇÃO — Em seu discurso, o presidente Lula também reforçou que o governo brasileiro busca atualizar sua política de promoção comercial e centrou sua justificativa no argumento de que nenhum país consegue exportar bens e serviços sem a oferta de opções de linhas de crédito. “O Brasil está recuperando a capacidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social de financiar a internacionalização da economia brasileira. O Brasil é plenamente consciente do enorme potencial econômico de Moçambique e do continente africano. A África é uma das regiões que mais cresce no mundo”, observou.

LIÇÃO — Lula apontou ainda que a Zona de Livre Comércio Continental Africana, que entrou em vigor em 2021, abrange 1,3 bilhão de pessoas e tem PIB combinado de US$ 3,4 trilhões. Para o presidente, “a aposta da África na integração e no livre comércio é uma lição para o mundo neste momento em que algumas economias optam pelo protecionismo e pelo unilateralismo.”

SINERGIAS — O presidente Lula também destacou que o Brasil elegeu a diversificação de parcerias para enfrentar decisões políticas que contrariem os princípios do multilateralismo. “É a melhor reação para enfrentar unilaterais e pressões injustas e ilegais. Em vez de se retrair, nosso comércio com o mundo aumentou em 2025. Nenhum país pode depender de poucos mercados ou de poucos produtos”, argumentou, acrescentando que o Brasil alcançou a marca de 486 novos mercados abertos em dois anos e meio. “Queremos diversificar exportações, gerar emprego e integrar nossas cadeias produtivas junto aos nossos parceiros do Sul Global. É possível explorar sinergias entre a Zona de Livre Comércio Africana e o Mercosul”, manifestou.

AVANÇOS — Ainda de acordo com o presidente, o Brasil busca vender e comprar mais de Moçambique e retomar investimento no país. “A ratificação do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, que assinamos em 2015, será um importante passo nesse sentido”, completou. Ele apontou possibilidades sinérgicas de investimentos. “Vejo enorme potencial para avançar conjuntamente em energia, biocombustíveis, saúde, agricultura, defesa e tecnologia. O Brasil tem tudo para contribuir com a segurança alimentar de Moçambique. A savana moçambicana é similar ao cerrado brasileiro. Com tecnologia adequada, é possível ampliar a produtividade da terra sem comprometer o meio ambiente”, assinalou.

EDUCAÇÃO — O presidente Lula dedicou parte de seu discurso para antecipar algumas ações do governo brasileiro em apoio educacional à formação agrícola e agrária dos moçambicanos. “O Ministério da Educação e a Agência Brasileira de Cooperação oferecerão, em 2026, até 80 vagas para curso de formação de formadores em ciências agrárias e até 400 vagas para curso técnico em agropecuária a colaboradores moçambicanos”, elencou.

ÁREAS DE ATENÇÃO — Outras áreas que terão atenção por parte do governo brasileiro, segundo Lula, são saúde e energia. “Queremos voltar a apoiar os sistemas de saúde em Moçambique, conjugando cooperação técnica e investimentos privados. Na área de energia, assim como a América do Sul, o continente africano possui importantes reservas de minerais críticos, como lítio e cobalto, que desempenharão papel estratégico na transição verde”, registrou.

SOBERANIA — O presidente Lula reforçou que a colaboração internacional é essencial, mas deve sempre respeitar a soberania de cada nação. “A cooperação internacional nessa matéria é fundamental. Mas é igualmente urgente que cada país seja capaz de definir as necessidades e modelos de exploração de suas riquezas minerais de forma soberana. E o Brasil está disposto a colaborar e nós temos que tomar a decisão. Não vamos ser exportadores dos minerais críticos. Se quiser, vai ter que industrializar o nosso país para que o nosso país possa ganhar o dinheiro”, afirmou Lula.


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