Lula participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá
Nesta terça e quarta-feira, presidente estará em evento que busca promover debate amplo sobre os desafios da região junto a lideranças políticas e econômicas. Esta é a primeira visita do presidente ao Panamá neste mandato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Panamá nesta terça (27/1) e quarta-feira. Ele irá participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) e o governo do Panamá, que busca promover um debate amplo sobre os desafios da região junto a lideranças políticas e econômicas. Esta é a primeira visita do presidente ao país no atual mandato, embora já tenha estado no Panamá em 2007.
Lula deve participar da sessão inaugural do Fórum, na quarta (28), de acordo com a programação do evento. Nesta edição, o Brasil é o convidado de honra. Por isso, Lula será o segundo a falar, logo após o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. Em seguida, o mandatário brasileiro deve se reunir com o líder panamenho, terminando a agenda com uma visita ao Canal do Panamá.
No Fórum Econômico, também estão previstas as participações de Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; Daniel Noboa, presidente do Equador; e José Antonio Kast, presidente-eleito do Chile, além da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e do primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness.
Durante apresentação à imprensa, na sexta-feira (23), a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores (MRE), ressaltou o momento dinâmico das relações bilaterais.
“É um momento, eu diria, inédito, não só em relação ao Panamá. Acho que poucos chefes de Estado terão se encontrado tantas vezes quanto o presidente Lula e o presidente Mulino, que, desde 2024, reuniram-se cinco vezes em encontros bilaterais, à margem das cúpulas do Mercosul e em reuniões específicas. Além da visita do presidente Mulino, em agosto de 2025, que agora é retribuída pelo presidente Lula”, afirmou a embaixadora.
Expansão comercial
A relação econômica entre Brasil e Panamá registrou uma expansão histórica no último ano, com o intercâmbio comercial saltando 78% e atingindo a marca de US$ 1,6 bilhão. O desempenho foi alavancado sobretudo pelas exportações brasileiras de petróleo e derivados, que dispararam de US$ 300 milhões para US$ 1,6 bilhão.
O crescimento acentuado gerou um superávit brasileiro que a diplomacia agora busca equalizar: a embaixadora Gisela Padovan sinalizou que o equilíbrio da balança comercial, por meio do incentivo às importações de produtos panamenhos, é prioridade para o Itamaraty e para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
No setor de defesa, a recente venda de quatro aeronaves Super Tucano, da Embraer, ao governo panamenho é vista como um marco da Cooperação Sul-Sul. O negócio reforça a confiabilidade das cadeias de suprimentos brasileiras na América Latina e consolida a presença tecnológica do país na região.
Além das trocas comerciais, a parceria se aprofunda no campo dos investimentos. Atualmente, o Panamá detém um estoque de US$ 9,5 bilhões em capital brasileiro, ocupando o posto de sétimo maior destino externo de investimentos do Brasil.
ACORDO — Durante o Fórum, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também deve assinar o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, que vai estabelecer as regras de proteção de investimentos panamenhos no Brasil, e brasileiros no Panamá. Segundo o embaixador Alexandre Ghisleni, diretor do Departamento de Política Econômica, Financeira e de Serviços do MRE, o acordo pode facilitar a circulação de capital de investimentos produtivos entre os dois países.
“É uma forma de você incentivar a integração regional de uma maneira mais profunda e concreta, mirando ao longo prazo. Faz parte de uma iniciativa brasileira de criar uma rede de acordos, sobretudo com países em desenvolvimento, de maneira a propiciar novas avenidas, novos caminhos para o desenvolvimento econômico, de ser uma espécie de versão econômica da cooperação Sul-Sul”, disse o embaixador durante o briefing.
Logística
Na a embaixadora Padovan também destacou que o Panamá é um importante hub logístico. O Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde passam quase sete milhões de toneladas, por ano, de exportações brasileiras.
O Aeroporto de Tocumen também representa um importante centro logístico do país centro-americano, com 20 milhões de passageiros por ano. “É um hub central para nós, para as conexões com a América Central, com o Caribe, às vezes até com países da América do Sul, como Guiana e Suriname”, disse Padovan.
MERCOSUL — Outro elemento importante para a relação entre o Brasil com o país panamenho, é o fato de o Panamá ser o primeiro país centro-americano a se associar ao Mercosul. Segundo a embaixadora, tal questão é importante para reforçar o bloco econômico sul-americano. “Nós vimos com muita alegria o interesse do presidente Mulino, que rapidamente assinou um acordo de associação. E agora estamos por iniciar negociações comerciais com o Brasil e com os países da região”, afirmou.
AGENDA — Durante a visita ao Panamá, outros temas deverão ser abordados pelo presidente, como: perspectivas econômicas da região; o papel da região no contexto global frente aos atuais desafios; o papel do setor privado no desenvolvimento da região; infraestrutura para o desenvolvimento da região; inteligência artificial; comércio; regras de comércio; energia; mineração; turismo e segurança alimentar. “É uma agenda ampla para a discussão sobre os principais desafios da região na área econômica”, disse o embaixador Alexandre Ghisleni.
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