Cinema do Brasil conquista três prêmios na 76ª edição do Festival de Berlim
Apoio às delegações dos dez filmes que representaram o país foi realizado conjuntamente pela Secretaria do Áudiovisual do MinC, Embaixada do Brasil em Berlim e Instituto Guimarães Rosa
O Brasil encerrou sua participação na 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) com três prêmios: Feito Pipa , de Allan Deberton, venceu o Urso de Cristal e o Grande Prêmio do Júri Internacional; Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques, recebeu o Tagesspiegel Readers’ Jury Award; e Narciso, de Marcelo Martinessi, foi eleito Melhor Filme pela Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci). Durante o festival, a secretária do Audiovisual do MinC, Joelma Gonzaga, cumpriu agenda institucional em Berlim.
O apoio às delegações aos dez filmes brasileiros foi realizado conjuntamente pela Secretaria do Audiovisual (SAV) do MinC, pela Embaixada do Brasil em Berlim e pelo Instituto Guimarães Rosa (IGR), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), reforçando a atuação integrada do governo federal na promoção internacional do cinema brasileiro.
Dos dez filmes brasileiros presentes na Berlinale, nove receberam recursos de políticas públicas federais, por meio do MinC com a Lei Paulo Gustavo (LPG) e a Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), da Agência Nacional do Cinema (Ancine), do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), além de apoios estaduais e municipais.
Os investimentos consolidados nas produções somam R$ 12,9 milhões via FSA e R$ 7,6 milhões via Lei do Audiovisual, conforme registros oficiais.
Para a secretária, a presença do cinema brasileiro em salas cheias e a boa recepção do público europeu refletem um momento positivo do setor. “Quem me conhece sabe o quanto eu sou amante de cinema. Nestes dias, tenho visto as salas cheias para ver o cinema brasileiro e as pessoas saindo emocionadas. Isso não é por acaso: é fruto de anos de políticas públicas do audiovisual”.
Segundo o embaixador do Brasil em Berlim, Rodrigo Baena Soares, o reconhecimento internacional recente do cinema brasileiro está diretamente ligado às políticas públicas. “Este ano tem sido muito importante para o Brasil. É um ano em que filmes brasileiros foram indicados a diversos prêmios internacionais. Isso só é possível graças ao talento dos profissionais que temos e também às políticas públicas em prol do cinema brasileiro. O audiovisual brasileiro vive um momento muito especial, transformando essas oportunidades em questionamentos sociais e na afirmação da diversidade”.
Produções brasileiras
Os filmes brasileiros integraram diferentes mostras do festival, como Generation, Panorama, Fórum, Fórum Expanded e Perspectives. Além dos títulos premiados, também foram exibidos A Fabulosa Máquina do Tempo , de Eliza Capai; Papaya , de Priscilla Kellen; Quatro Meninas , de Karen Suzane; de Janaína Marques; Floresta do Fim do Mundo , de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa; Se eu fosse vivo, vivia , de André Novais Oliveira; Nosso Segredo , de Grace Passô; e Isabel , de Gabe Klinger.
Para a atriz Jéssica Gaspar, do filme Nosso Segredo , o fomento é estruturante para o setor. “O fomento é a base que sustenta a nossa cultura. Falar de cinema é falar de educação, de arte, de múltiplas linguagens, de diferentes tipos de pessoas. O Brasil é tão diverso, único em sua diversidade, e sinto que apoiar projetos como esse abre portas para que diferentes narrativas ganhem espaço.”
Para Marina Person, protagonista e co-roteirista de Isabel , o fortalecimento das cinematografias nacionais passa pelo apoio público. “Todas as cinematografias mundiais que são fortes têm apoio do governo de alguma maneira. É uma atividade que faz parte da identidade de um país. É por meio do cinema que conseguimos mostrar nossa língua, nossas histórias, nossos autores e o país em si. É fundamental que exista esse apoio”.
A diretora da animação Papaya , Priscilla Kellen, comentou as dificuldades de disputar espaço no mercado internacional sem políticas de fomento. “Sem as leis de incentivo à cultura e todos esses mecanismos, a gente simplesmente não conseguiria produzir nem competir com as produções que vêm de fora — competir por espaço mesmo de tela, nos streamings e nas salas de cinema”, afirmou.
A atriz Giovanna Nader destacou a importância da política cultural para a projeção internacional do país. “Eu acho que um país é conhecido pela sua cultura e o Brasil mais ainda porque temos uma cultura riquíssima. Então o apoio público pra gente levar para o mundo a cultura brasileira é um impulsionamento. Eu acho essencial e estou muito feliz que esse apoio esteja acontecendo”, avaliou.
O ator Lázaro Ramos ressaltou o impacto econômico e simbólico do fomento cultural.
O apoio público é importante, primeiro, porque tem retorno — e acho importante dizer isso. O que está acontecendo nos últimos anos é muito bonito: temos viajado para fora com filmes que têm uma essência brasileira muito forte. Isso é muito lindo, porque estamos dizendo: este é o nosso jeito de contar histórias, estes são os nossos profissionais, estes são os nossos talentos”.
Agenda institucional e cooperação
A agenda da secretária em Berlim contou com articulação da Embaixada do Brasil na Alemanha e incluiu participação em estreias das produções brasileiras, encontros com delegações e presença em eventos estratégicos, como o Berlinale Talents, com a participação de nove profissionais brasileiros apoiados pelo IGR/MRE.
Também integrou a programação a recepção promovida pelo Cinema do Brasil, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, além de reunião com representantes do World Cinema Fund.
Fora da programação oficial da Berlinale, Joelma Gonzaga reuniu-se com autoridades do governo alemão e visitou a Cinemateca Alemã, onde foram discutidas possibilidades de cooperação entre os dois países, com foco em preservação audiovisual, intercâmbio técnico e parcerias institucionais.
Boa recepção do público
Os filmes brasileiros tiveram boa recepção do público europeu durante o festival. A Fabulosa Máquina do Tempo foi aplaudida na sessão de abertura, e a animação Papaya despertou grande interesse do público infantil.
A presença brasileira na 76ª Berlinale reafirma o papel estratégico da atuação integrada entre MinC e MRE e das políticas públicas na consolidação do audiovisual como vetor cultural, simbólico e econômico do país, fortalecendo a projeção internacional do cinema nacional.
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