Número de cursos de pós-graduação com nível de excelência cresce no País
Em entrevista à Voz do Brasil, a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, afirmou que o aumento da qualidade ocorreu em todas as regiões brasileiras, com destaque para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste
Houve um aumento dos programas de pós-graduação de excelência no País entre os anos de 2021 e 2024. De acordo com o resultado da Avaliação Quadrienal dos Programas de Pós-Graduação stricto sensu, divulgado nesta terça-feira (10/2), o número de cursos com notas máximas na análise cresceu. Com pontuações que vão de 1 a 7, o sistema busca analisar se os programas atendem ao padrão mínimo de qualidade exigido para cada nível de curso.
"Houve um aumento não só desses programas 6 e 7, mas também dos cursos com notas 5, que é um curso consolidado, assim como as notas 4. Então houve um aumento de todas essas notas 4, 5, 6 e 7. Nesses 50 anos de avaliação, temos feito com que haja um amadurecimento da pós-graduação no sentido de se aproximar desses cursos do exterior, de cursos semelhantes nas diferentes áreas do conhecimento, aqueles cursos que são ministrados nos outros países, onde se faz ciência com muita qualidade", explicou a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, em entrevista à Voz do Brasil desta terça.
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Mais de 800 programas de pós-graduação alcançaram notas de excelência (6 e 7), um aumento de 21% em relação ao quadriênio 2017-2020, quando 667 programas atingiram esse conceito. Foram avaliados 4.555 programas, por 1.980 consultores, de 50 áreas. A presidente da Capes salientou ainda o investimento do Governo brasileiro para que esses resultados fossem conquistados.
Esse aumento da qualidade aconteceu em todas as regiões do nosso País, com destaque especial para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que é produto do aumento do investimento que vem sendo feito a partir de 2023 na pós-graduação brasileira a partir do Ministério da Educação", destacou.
Entre os programas de mestrado e doutorado avaliados, 1.272 (28%) aumentaram a nota e 2.721 (60%) mantiveram a pontuação anterior. Parte disso se explica pela melhoria observada em 70% dos programas de pós-graduação que historicamente apresentavam nota 3 e receberam investimentos do Programa de Redução de Assimetrias da Pós-Graduação ( PRAPG ), financiado pelo MEC por meio da Coordenação.
Acesse o resultado em: http://capes.gov.br/resultadoavaliacao2025
Leia a entrevista completa:
Vamos começar explicando para o nosso ouvinte o que é a avaliação quadrienal da pós-graduação no Brasil. Qual é a finalidade principal?
É uma avaliação de todos os programas de pós-graduação stricto sensu. São os programas de mestrado e doutorado do Sistema Nacional de Pós-graduação e que acontece a cada quatro anos, levando em consideração o desempenho desses programas durante quatro anos. Daí o termo quadrienal. No ano de 2025 nós terminamos o quadriênio passado, que foi a avaliação de 2021, 22, 23 e 24.
Agora, a gente já teve, então hoje divulgados os resultados dessa avaliação e eu queria que a senhora então destacasse o que a senhora considera os principais resultados. A gente teve uma melhora neles? Os cursos tiveram notas melhores?
É muito importante, Mariana, salientar que houve um aumento dos programas de excelência no país. Nós temos um aumento importante dos programas 6 e 7, que são programas com características de pós-graduação internacional.
Houve um aumento não só desses programas 6 e 7, mas também dos cursos com notas 5, que é um curso consolidado, assim como as notas 4. A partir de nota 5 são os cursos consolidados. Então houve um aumento de todas essas notas 4, 5, 6 e 7. Demonstrando que o sistema nesses 50 anos de avaliação, nós a CAPES avalia os programas há 50 anos, temos feito com que haja um amadurecimento da pós-graduação no sentido de se aproximar desses cursos do exterior, de cursos semelhantes nas diferentes áreas do conhecimento, aqueles cursos que são ministrados nos outros países, onde se faz ciência com muita qualidade.
E uma outra questão que eu gostaria de ressaltar é que esse aumento da qualidade aconteceu em todas as regiões do nosso país, com destaque especial para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que é produto do aumento do investimento que vem sendo feito a partir de 2023 na pós-graduação brasileira a partir do Ministério da Educação.
Só para a gente situar então o nosso ouvinte aqui, presidente, a avaliação, os cursos podem atingir notas de 1 a 7, né? Porque senão as pessoas ficam achando que a nota vai até 10, mas a nota vai até 7, é isso?
Exatamente.
A senhora falou aí da referência de resultados por região muito positiva, e esse resultado melhorou tanto na oferta de cursos quanto nas notas alcançadas, não é isso?
Exatamente. Nós temos o maior número de cursos hoje nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. As regiões Sudeste e Sul são as regiões que têm o maior número de programas, onde a pós-graduação se iniciou no nosso país há cerca de 60 anos, estão estáveis. Portanto, não houve diminuição no número de programas de maneira relevante, e houve aumento nas regiões nas quais havia menos pós-graduação, demonstrando que a política pública de interiorização da educação superior, de interiorização dos cursos de mestrado e doutorado, quando ela caminha junto com o financiamento, ela traz bons resultados para o desenvolvimento das diferentes regiões do nosso país.
E esses cursos de pós-graduação, stricto sensu, mestrado, doutorado, eles contribuem muito para a produção científica no país também, não é, presidente? Quer dizer que a gente melhora nesses resultados, tem um impacto então também de melhoria na produção científica brasileira?
Exatamente, é uma interligação entre a produção científica nacional e a produção de teses e dissertações, que são os produtos da pós-graduação Estrito Censo.
Quanto mais teses e dissertações, quanto mais titulamos mestres e doutores, maior é a produção científica do Brasil. A pós-graduação, como um todo, ela é responsável por mais de 90% da produção científica nacional, o que quer dizer que nós temos melhorado também, esses dados são internacionais, o Brasil está entre os 15 países do mundo que mais produz artigos científicos e quando há queda na pós-graduação, há também queda na produção de conhecimento, como nós vimos durante a pandemia e durante os anos de subfinanciamento desse sistema.
Caíram os números de publicações e caíram também as patentes, mostrando que há uma interrelação entre a ciência, a tecnologia e a inovação. A produção de patentes também depende da pós-graduação brasileira.
E esses resultados positivos da avaliação quadrianal influenciam o financiamento, a concessão de bolsas nos programas de pós-graduação?
Excelente pergunta, a Capes é responsável por todo o sistema nacional de pós-graduação, está sob a responsabilidade do Ministério da Educação, inclusive financiando 80% das bolsas de mestrado e doutorado no país.
Portanto, essas bolsas elas garantem a continuidade dos estudos dos nossos estudantes, são muito importantes para a permanência e para a dedicação exclusiva que aumenta a produção científica nacional. Quanto melhor o curso, maior é o número de bolsas que esse curso recebe. Então os cursos de mais altas notas são os cursos 6 e 7, inclusive fazem parte de um programa especial da Capes, que chama-se Programa de Excelência, que nós chamamos de ProEx.
São cursos que recebem mais bolsas e também um valor de custeio maior e que é discricionário dos coordenadores de curso que estão dentro do ProEx. Então todos os cursos querem chegar a ser cursos 6 ou cursos 7, não só porque é a maior projeção internacional, mas também porque é maior o financiamento e a discricionalidade no uso dos recursos, de forma que é muito mais fácil que nós possamos produzir conhecimento com menos burocracia.
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