Economia

Índice de emprego não conta quem recebe apenas Bolsa Família, explica secretário da Fazenda

Em entrevista ao programa Voz do Brasil, Guilherme Mello, secretário nacional de Política Econômica do Ministério da Fazenda, desmente boato de que receber Bolsa Família altera artificialmente as taxas de emprego e desemprego. E lembra que a maioria de quem recebe Bolsa Família também trabalha

Agência Gov
27/02/2026 19:21
Índice de emprego não conta quem recebe apenas Bolsa Família, explica secretário da Fazenda
Washington Costa/MFaz
Guilherme Mello: Bolsa Família não inclui automaticamente a pessoa na estatística de emprego

Em entrevista ao programa Voz do Brasil desta sexta-feira (27/2), o secretário nacional de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, desmente boato de que quem recebe Bolsa Família apareça automaticamente como empregado nas pesquisas feitas pelo IBGE e pelo Ministério do Trabalho. Se a pessoa estiver sem emprego, seja formal ou informal, vai aparecer nas pesquisas como desempregada.

Algumas pessoas confundem, acham que quem, por exemplo, recebe Bolsa Família, não conta no número do desemprego. Isso não é verdade", destacou.

Mello explica que uma pessoa que recebe Bolsa Família só será designada como "empregada" se estiver executando algum serviço remunerado e regular.

"Quando o IBGE faz essa pesquisa, e essa metodologia vem de muito tempo, não é uma novidade desse governo, ele pergunta se você procurou emprego, se você não procurou emprego. E quem [afirma que] procurou emprego e não encontrou, está desocupado". lembrou.

O secretário também destaca que, por outro lado, uma parte das pessoas que recebem Bolsa Família também trabalha. "A maioria das pessoas que recebe Bolsa Família trabalha informalmente, alguns formalmente, e o Bolsa Família funciona como um complemento de renda", lembra.

Segundo dados recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 64% das pessoas que ocuparam empregos formais em 2025 eram também beneficiárias do Bolsa Família. A chamada regra de proteção mantém os recém-empregados no Bolsa Família até que a permanência no trabalho seja longa o bastante e a renda, estabilizada, antes de desligá-la do programa.

Saiba mais sobre a regra de proteção

Durante a entrevista, Mello discorreu sobre os resultados econômicos dos últimos três anos e as perspectivas para 2026.

Leia os principais trechos da entrevista:

A Secretaria de Política Econômica divulgou o balanço macrofiscal de 2025 e perspectivas para 2026. Esse balanço traz dados importantes sobre inflação, crescimento da economia brasileira, desemprego, juros, e um dos destaques desse documento é que esses indicadores tiveram números recordes de 2023 a 2025.

De fato, esses últimos três anos da economia brasileira apresentaram desempenho muito acima do esperado por todos os analistas econômicos.

Do ponto de vista do crescimento do PIB, é a primeira vez que nós crescemos próximo, em média, próximo a 3% nos últimos três anos, sendo que nos governos anteriores esse crescimento girava em torno de 1,5%, ou seja, em alguns momentos até mais do que o dobro do que a gente via no passado.

Mais do que isso, nós vamos fechar esses quatro anos, entre 2023 e 2026,  com a menor inflação média da história do Brasil.

E isso é uma conquista muito importante, porque isso significa que a renda do povo está valendo mais, certo? O poder de compra da população está garantido e valorizado. Além de ter inflação baixa, você tem o melhor mercado de trabalho também da história do Brasil.

Nós estamos hoje com a menor taxa de desemprego da história, medida pelo IBGE, também estamos com o maior nível de rendimento médio do trabalho e o maior nível de massa salarial. O que a gente chama de massa salarial é a soma de todos os salários, certo?

É o conjunto de salários da economia brasileira.  Isso mostra um mercado de trabalho muito forte, muito dinâmico, que também é influenciado por um salário mínimo que voltou a se valorizar desde 2023 e que hoje está perto da sua máxima histórica em termos reais, ou seja, já descontada a inflação. Então, nós temos crescimento forte, recuperado, mercado de trabalho forte, com baixo desemprego, rendimento alto, massa salarial alta.

Nós temos também inflação baixa, menor da história, e nós temos indicadores sociais muito impressionantes. 

Hoje, o Brasil se encontra, segundo todas as pesquisas, no menor nível de pobreza, de miséria e de desigualdade da história. Não é dos anos recentes, não. É da história do Brasil.

Acrescenta-se que pela segunda vez o Brasil saiu do Mapa da Fome, ou seja, deixou de ser classificado internacionalmente como um país que sofre com a chaga da fome. Então, são conquistas econômicas e sociais muito importantes  que nós fizemos questão de ressaltar, porque desde 2014, 2015, os indicadores econômicos do Brasil sempre são bastante negativos. Nós convivemos quase que uma década com desemprego alto, muitos anos de inflação alta, renda baixa, o salário mínimo ficou congelado  durante muito tempo.

Então, o poder de compra do trabalhador foi se perdendo ao longo desses anos, e de 2023 para cá, tudo isso se reverteu. 

Voltando a falar do PIB, o Produto Interno Bruto de 2025, ainda não foi divulgado oficialmente, mas a prévia aponta esse crescimento por volta de 2,5% no ano passado. Como é que o senhor avalia esse desempenho e quais os principais fatores que contribuíram?

Em 2025, nós tivemos um crescimento um pouco menor que em 2024, mas que já era esperado. Por quê? Em 2025, um dos fatores que puxou o crescimento econômico foi a safra recorde que nós tivemos e que ajudou essa safra recorde a reduzir a inflação de alimentos. Então, no ano passado, a inflação de alimentos em domicílio ficou perto de 1%, quase que o preço dos alimentos em média estabilizado.

Claro, vai ter um alimento que subiu, mas vai ter outro que caiu. Então, na média da cesta de consumo dos brasileiros, a inflação de alimentos foi muito baixa. Nós também tivemos um desempenho bom da indústria extrativa e do setor de infraestrutura e construção, que vai melhorar em 2026, porque em 2026 se espera que o Brasil bata o recorde histórico do investimento em infraestrutura.

Estamos falando aqui de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias. Estamos falando também de energia, ou seja, a infraestrutura que melhora as condições do Brasil crescer e continuar crescendo no futuro. Então, é um crescimento robusto de 2,5%, em particular em um cenário que o desemprego, como a gente já falou, está no menor patamar da história.

Algumas pessoas confundem, acham que quem, por exemplo, recebe Bolsa Família  não conta no número do desemprego.  Isso não é verdade. Em primeiro lugar, que a maioria das pessoas que recebe Bolsa Família  trabalha informalmente, alguns formalmente, e o Bolsa Família funciona como um complemento de renda.

Então, são pessoas que estão ocupadas, estão no mercado de trabalho. E mais do que isso, quando o IBGE faz essa pesquisa, e essa metodologia vem de muito tempo, então não é uma novidade desse governo, já há muitas décadas é assim, ele pergunta se você procurou emprego, se você não procurou emprego. E quem procurou emprego e não encontrou está desocupado.

Quem está ocupado vai aparecer como a população ocupada. Pode ser população ocupada formal ou informal. A boa notícia é que nesse governo também aumentou a formalização, ou seja, as pessoas conseguiram empregos de melhor qualidade,  empregos formais que dão direito a férias remuneradas, que dão direito a FGTS, etc.

E também nós reduzimos o que nós chamamos de subutilização e desalento. Subutilização é quando o sujeito quer trabalhar mais, mas não encontra trabalho. Ele trabalha, por exemplo, 20 horas por semana, gostaria de trabalhar mais, mas não encontra trabalho. E desalento é o sujeito que desistiu de procurar emprego. Esses números também melhoraram e estão no melhor momento da história. Ou seja, o mercado de trabalho no Brasil, em todas as suas métricas, está no melhor momento da história.

E para 2026, secretário, quais são as perspectivas e qual o caminho que o Governo pretende traçar?

Para 2026 nós esperamos que o crescimento continue muito próximo  ao que se verificou em 2025. Então é o crescimento que nós chamamos que está alinhado com o potencial de crescimento do Brasil. Cada país tem um potencial máximo de crescimento.
Se ele crescer muito acima daquilo, ele pode gerar desequilíbrios, inflação, problemas em contas externas, etc. Então esse crescimento do Brasil, com a taxa de desemprego muito baixinha como nós temos hoje, vai fortalecendo ano a ano a economia e não gerando desequilíbrios. Tanto é que para 2026 nós esperamos uma inflação menor do que em 2025.

Em 2025 nós tivemos uma inflação um pouco superior, próximo a 4,2%, um pouco superior a 4%. Já em 2026 a gente espera uma inflação de 3,6%. É uma inflação, para a história do Brasil, muito, muito baixa e uma inflação que está caindo em relação ao ano passado.

Então nós pretendemos continuar crescendo, gerando empregos, formalizando o mercado de trabalho, gerando empregos de melhor qualidade, aumentando o rendimento, mas com a inflação sob controle, o que é muito importante para valorizar o salário do trabalhador, assim como outras medidas, como a reforma do imposto de renda, que aumenta a renda disponível do trabalhador brasileiro. 




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