Meio ambiente

Na COP 15, Governo discute monitoramento de animais silvestres como barreira contra novas pandemias

Painel destaca a Saúde Única como estratégia para prevenir crises sanitárias ao integrar a proteção de humanos, animais e plantas

Agência Gov | Via MMA
23/03/2026 23:05
Na COP 15, Governo discute monitoramento de animais silvestres como barreira contra novas pandemias
A compreensão de que a saúde humana está indissociável da dos animais e das plantas foi destaque no primeiro evento paralelo

A compreensão de que a saúde humana está indissociável da dos animais e das plantas foi destaque no primeiro evento paralelo organizado pelo Governo do Brasil na 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). O painel focou na implementação prática do conceito de Saúde Única (One Health , em inglês), estratégia central para antecipar crises sanitárias globais.

A abordagem parte da ideia de que o olhar integrado para animais, plantas e seres humanos permite soluções mais efetivas para desafios como epidemias e pandemias, a exemplo da Covid-19. Segundo a coordenadora substituta de Conservação da Fauna e da Biodiversidade (Cobio) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marília Marinho Banhos Dias, a vigilância constante é urgente. “Cerca de 75% das doenças infecciosas emergentes em humanos têm origem animal. Aí está a importância da One Health : uma força conjunta para que tudo se comunique”, explicou.

Em diversas situações, o ser humano não é o primeiro a demonstrar sintomas, o que faz do monitoramento de animais uma alternativa para detectar desequilíbrios antes que se tornem doenças em escala humana.

“Um exemplo clássico é a gripe aviária, que depende de interações entre países, trocando informações e alertas que nos coloquem em situação de atenção com antecedência, para que as ações reais possam ser tomadas”, afirmou a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita.

Animais sentinelas e alertas precoces

Nesse contexto de prevenção, o debate destacou o papel dos chamados “animais sentinelas”, que atuam como indicadores da saúde de ecossistemas. As onças-pintadas são um exemplo claro. Por ocuparem o topo da cadeia alimentar no Pantanal e em outros biomas, funcionam como uma espécie de alarme.

O coordenador do Instituto Impacto, Paul Raad, ressaltou que a presença de parasitas ou o desaparecimento dessas populações sinaliza que o ambiente está em desequilíbrio, o que pode indicar futuros problemas de saúde para animais e pessoas. O Instituto Impacto é uma organização que atua com onças-pintadas no Pantanal.

O Governo do Brasil também apresentou o sucesso dos Programas de Monitoramento de Praias (PMPs) . Esses programas utilizam espécies migratórias como sentinelas e são capazes de detectar precocemente ameaças como o vírus da influenza (gripe), o que permite respostas rápidas das autoridades.

“A Saúde Única depende, portanto, do fortalecimento da cooperação global e regional, que precisa enfrentar fatores determinantes e identificar partes interessadas na tomada de decisão”, destacou a conselheira nomeada pela COP para a Saúde da Vida Selvagem, Ruth Cromie.

Link: https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias/saude-unica-na-cop15-governo-do-brasil-discute-monitoramento-de-animais-silvestres-como-barreira-contra-novas-pandemias
A reprodução é gratuita desde que citada a fonte