Programa Aurora ajuda mães cientistas a conciliar carreira e maternidade
Em entrevista à Voz do Brasil, desta sexta-feira (8), presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, destacou o incentivo da Capes para o avanço das mulheres na carreira acadêmica
Apesar de serem maioria entre as doutoras no Brasil há mais de 20 anos, as mulheres representam apenas 43% do corpo docente da pós-graduação. Estudos sobre gênero e ciência mostram que a participação feminina diminui conforme a carreira acadêmica avança, fenômeno conhecido como efeito tesoura. A queda da participação feminina em áreas científicas ocorre especialmente após a maternidade.
Então há um gargalo, há um impedimento no ingresso e permanência das mulheres como professoras na pós-graduação. Está provado que as mulheres, quando se tornam mães, elas acabam abandonando o ambiente acadêmico ou há um retardo na sua progressão", explicou a presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho, em entrevista à Voz do Brasil, desta sexta-feira (8/5).
Tendo isso em vista, a Capes criou o Programa Aurora, que incentiva gestantes e mães de crianças de até dois anos a não desistirem de suas carreiras, diminuindo o impacto da maternidade na produtividade da carreira científica.
A política pública da CAPES pretende mitigar os impactos da maternidade sobre a produtividade acadêmica, fortalecendo a equidade de gênero na pós-graduação. As chamadas para as bolsas ocorrerão por meio de editais. Para apresentar a proposta, é preciso estar no segundo trimestre da gestação ou ser mãe de criança de até dois anos.
Confira a entrevista completa:
Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena
Também durante entrevista, a presidente da Capes falou sobre o Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena (PDAI). Criado para ampliar o acesso e assegurar a permanência e o êxito de estudantes indígenas na pós-graduação stricto sensu, a ação prevê a concessão de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado em instituições de educação superior e pesquisa.
"Quando eles terminam os seus respectivos cursos, eles querem ingressar, muitos deles, nos cursos de mestrado e doutorado. No entanto, a seleção para esses cursos acontece muitas vezes longe da localidade onde eles moram. Então esse novo programa vem para que aconteça uma seleção dos estudantes indígenas de uma maneira nacional. Eles podem aplicar a seleção do local onde eles estão, muito semelhante ao que fazemos com os estudantes que vêm do exterior para estudar no Brasil", destacou.
O programa também financiará publicações, traduções e repositórios digitais, com a finalidade de divulgar iniciativas científicas para valorizar e preservar os conhecimentos indígenas.
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