No ano, aumento de exportações para China, Europa e Índia é seis vezes maior que a queda para os EUA
Dados, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), referem-se ao primeiro semestre, quando o primeiro tarifaço de Trump afetava as vendas brasileiras ao exterior. Com novo pacote de apoio anunciado nesta sexta (17), Apex quer ajudar a repetir o feito
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller. apontou que o aumento das exportações no primeiro semestre deste ano, considerando apenas China, Europa e Índia, superaram em seis vezes a queda das vendas para os Estados Unidos: R$ 16,1 bilhões, contra RS 2,6 bilhões, respectivamente.
No período apontado, o comércio com o mercado estadunidense já estava sob impacto do primeiro tarifaço, imposto no ano passado em duas etapas, em abril e agosto.
Müller falou à imprensa nesta sexta-feira (17/7), quando anunciou um pacote de R$ R$ 130 milhões, a ser iniciado em agosto, para apoiar as empresas brasileiras a diversificarem os destinos para suas vendas ao exterior e reduzir os impactos das tarifas estadunidenses recém-impostas pela administração Donald Trump.
Segundo reportagem da Agência Brasil, o presidente da Apex afirmou que houve, no primeiro semestre do ano, uma redução de cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações para os EUA, resultado das tarifas aplicadas anteriormente.
Mas tivemos um aumento de US$ 3,1 bilhões para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia, e US$ 10,5 bilhões para a China, só para citar alguns dos destinos mais importantes”, disse Laudemir Müller.
Na avaliação de Müller, a balança pesou a favor do Brasil a partir das medidas adotadas pelo governo desde o ano anterior, como o esforço para abertura de novos mercados para produtos nacionais, do qual a Apex tem participado.
Leia também:
Governo apresenta ações para fortalecer setores afetados por tarifas dos Estados Unidos
As negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá também foram apontadas pelo presidente da agência como oportunidades para diversificar o comércio exterior do Brasil, reduzindo a dependência dos estadunidenses.
O dirigente ressaltou que a grande maioria das empresas exportadoras que buscam apoio da Apex conseguiram resistir ao primeiro tarifaço e expandir seus negócios com o exterior.
72% das 2,4 mil empresas que exportam para os EUA, e que são apoiados pela ApexBrasil, já diversificaram o mercado entre junho de 2025 e maio de 2026. Elas acrescentaram, nesse período, pelo menos um novo destino de suas exportações”, disse.
Novo apoio
A ApexBrasil informou que o novo plano anunciado nesta sexta-feira será lançado em parceria com 57 setores econômicos do país, nas mais diversas áreas, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras.
“A expansão para outros mercados a gente já faz. O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, explicou Müller, em entrevista.
O chefe da agência estatal disse que as prioridades são o mercado da União Europeia, até pelo recente acordo com o Mercosul, além dos países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, entre outros, e que apresentam altas taxas de crescimento.

China, um dos destinos dos produtos brasileiros. Foto: ApexBrasil
Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os possíveis novos mercados a serem explorados pelas empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço dos EUA.
“São países de alto crescimento e desenvolvimento, eles têm procurado muito o Brasil para parcerias em investimento e estão crescendo a 7% ou 8% [do Produto Interno Bruto, PIB], com população jovem, e que demandam, inclusive, produtos que o Brasil tem”, disse.
Com informações da Agência Brasil
A reprodução é gratuita desde que citada a fonte