Ciências

Observatório Nacional, 199 anos: conquistas, novos servidores e mais infraestrutura

No ano em que faz 199 anos, o ON obtém conceito “Excelente” na gestão, reforça equipe com aprovados em concurso e ganha infraestrutura digital ampliada

Agência Gov | via ON
14/10/2026 08:49
Observatório Nacional, 199 anos: conquistas, novos servidores e mais infraestrutura
Observatório Nacional/divulgação
As equipes do Observatório Nacional descrevem avanços e investimentos na instituição

O Observatório Nacional (ON/MCTI) celebra neste 15 de outubro seus 199 anos de atividades ininterruptas dedicadas ao avanço da ciência no Brasil. Criado em 1827, apenas cinco anos após a independência do país, o ON consolidou-se como uma das mais antigas e respeitadas instituições científicas nacionais, com uma trajetória marcada por inovação, formação de recursos humanos e produção de conhecimento de excelência.

Ao completar 199 anos, a unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deu início oficialmente à contagem regressiva para o seu bicentenário em 2027. O marco coincide com ótimos resultados institucionais, incluindo o conceito “Excelente” obtido na avaliação do Termo de Contrato de Gestão (TCG) e uma produção científica de elevado impacto nas áreas de Astronomia, Geofísica e Metrologia em Tempo e Frequência.

"Chegar aos 199 anos com esses resultados é motivo de muito orgulho para todos nós, pois representa o reconhecimento de um trabalho coletivo realizado com grande dedicação por pesquisadores, tecnologistas, analistas, técnicos, demais servidores e estudantes do Observatório Nacional. Esse resultado mostra que o ON não vive apenas da importância do seu passado, mas continua contribuindo ativamente para o avanço da ciência brasileira e internacional. Afinal, a melhor maneira de honrar esses 200 anos de história é garantir que o ON continue tendo um papel relevante pelos próximos 200 anos", afirmou o diretor do ON, Dr. Jailson Alcaniz .

Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica celebra 15 anos

Outro marco celebrado em 2026 é o aniversário de 15 anos do Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (OASI) , em Itacuruba (PE). Esta unidade descentralizada do ON desempenha papel crucial no estudo de pequenos corpos do Sistema Solar e na caracterização de asteroides potencialmente perigosos para a Terra.

A Dra. Daniela Lazzaro , pesquisadora do ON e uma das coordenadoras da iniciativa IMPACTON, destacou o impacto dessa década e meia de operação do OASI: "Quinze anos após a primeira luz do telescópio, a equipe já observou em torno de 1000 pequenos corpos do Sistema Solar cujas análises foram publicadas em revistas internacionais, além de teses e dissertações. Os resultados obtidos até aqui mostram que o OASI é uma infraestrutura de observação astronômica relevante tanto para a ciência quanto para a formação de recursos humanos qualificados e para uma divulgação científica responsável".

Fortalecimento da pesquisa geomagnética em Tatuoca e Vassouras

Paralelamente às conquistas da Astronomia, o aniversário de 199 anos do ON reforça a presença histórica da instituição no monitoramento do campo magnético terrestre através de suas outras duas unidades descentralizadas: o Observatório Magnético de Tatuoca (OMT) , localizado em Belém (PA), e o Observatório Magnético de Vassouras (OMV) , no estado do Rio de Janeiro.

Como parte do esforço contínuo de modernização das bases geofísicas do ON, uma missão técnica realizada na Ilha de Tatuoca , a poucos dias do ON completar 199 anos, aprimorou o sistema de energia fotovoltaica da unidade amazônica e promoveu o alinhamento metodológico entre os observatórios. A capacitação foi conduzida pelo chefe do OMV, Alberto Faria dos Santos , padronizando as medições absolutas e assegurando a excelência dos dados nacionais.

O Coordenador de Geofísica do ON, Dr. Fábio P. Vieira , acompanhou as ações e ressaltou o papel dessa cooperação institucional no ano comemorativo: "As ações integradas entre Tatuoca e Vassouras fortalecem a operação das nossas unidades descentralizadas, ampliam a confiabilidade dos equipamentos e qualificam a equipe responsável pelo monitoramento geomagnético. Essa cooperação e a constante busca por soluções tecnológicas locais são fundamentais para garantir a precisão de dados essenciais para pesquisas e aplicações científicas em todo o mundo".

Hora Legal Brasileira expande infraestrutura e consolida soberania nacional no Nordeste

Completando o tripé de áreas finalísticas da instituição ao lado da Astronomia e da Geofísica, a Metrologia em Tempo e Frequência também chega aos 199 anos com uma conquista inédita para a segurança digital do país. O ON concluiu a instalação do primeiro relógio atômico de césio em um data center da Região Nordeste, localizado na Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), em Fortaleza.

A iniciativa, parte do Projeto Tempo Brasil em parceria com o NIC.br e CGI.br, fortalece a distribuição da Hora Legal Brasileira sob responsabilidade do ON em um dos maiores pontos de troca de tráfego de internet do país, beneficiando setores críticos como bancos, telecomunicações e certificação digital.

O gestor da Divisão de Serviços da Hora Legal Brasileira do ON (DISHO/ON), Dr. Ricardo José de Carvalho , destacou o impacto do avanço para a infraestrutura nacional: "Com a instalação, o Ceará se torna o primeiro estado do Nordeste a contar com um servidor Stratum 1 disciplinado pelo padrão primário de césio do Observatório Nacional, reforçando a soberania digital e a confiabilidade de serviços críticos na região".

Chegada de novos servidores fortalece o quadro da instituição

Outro pilar fundamental que marca este aniversário de 199 anos e prepara o ON para o seu bicentenário foi a integração dos novos servidores aprovados em concursos públicos, reforçando as equipes de analistas, tecnologistas e pesquisadores. Segundo o diretor Dr. Jailson Alcaniz, a chegada desses profissionais supre uma demanda histórica da instituição:

Essa renovação [no quadro de servidores} acontece em um momento particularmente importante, no qual a ciência exige equipes cada vez mais qualificadas, infraestrutura avançada e uma forte integração entre diferentes áreas do conhecimento”

"A chegada dos novos servidores representa uma conquista muito significativa para o Observatório Nacional, especialmente depois de um longo período quando enfrentamos dificuldades para renovar nosso quadro de pessoal. Estamos incorporando aos poucos novos profissionais com diferentes competências e experiências, que já estão contribuindo para fortalecer nossas atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, gestão e prestação de serviços à sociedade. Essa renovação acontece em um momento particularmente importante, no qual a ciência exige equipes cada vez mais qualificadas, infraestrutura avançada e uma forte integração entre diferentes áreas do conhecimento”.

Inteligência Artificial e democratização da infraestrutura científica

Ainda dentro dos marcos operacionais comemorados neste ciclo, o ON celebra a aprovação de financiamento junto à Finep para a criação do seu novo Centro de Inteligência Artificial aplicada à Astronomia e Geofísica , que permitirá analisar volumes massivos de dados cósmicos e geológicos com rapidez e eficiência.

O diretor ressalta que a ferramenta apoiará as pesquisas desenvolvidas no ON mantendo o rigor científico: "A Inteligência Artificial já está transformando profundamente a maneira como fazemos ciência, e o ON está se preparando para desempenhar um papel importante nesse processo. Vale destacar que a IA não é uma novidade nas pesquisas do ON: nossos pesquisadores já vêm utilizando essas ferramentas, e temos várias teses e dissertações concluídas que empregaram técnicas de IA para enfrentar problemas científicos complexos. Contudo, o uso indiscriminado pode produzir resultados equivocados. Entendemos que a IA deve ser uma ferramenta de apoio à pesquisa, e não um substituto para o conhecimento, a experiência e o pensamento crítico dos cientistas”.

O novo Centro de IA foi concebido justamente para ajudar a reduzir essas desigualdades, funcionando como uma infraestrutura aberta a pesquisadores de instituições de todo o país, com atenção especial aos grupos emergentes. Para nós, essa é uma dimensão fundamental do investimento público em ciência"

Além de acelerar a pesquisa, o novo Centro de IA atuará para reduzir desigualdades computacionais no país: "Nós sabemos que o acesso à infraestrutura computacional de alto desempenho ainda é bastante desigual no Brasil. Muitas vezes, grupos de pesquisa altamente qualificados não conseguem desenvolver todo o seu potencial por falta de acesso a equipamentos e recursos tecnológicos adequados. O novo Centro de IA foi concebido justamente para ajudar a reduzir essas desigualdades, funcionando como uma infraestrutura aberta a pesquisadores de instituições de todo o país, com atenção especial aos grupos emergentes. Para nós, essa é uma dimensão fundamental do investimento público em ciência: criar condições para que pesquisadores brasileiros possam contribuir para o avanço do conhecimento”.

Modernização tecnológica: inauguração do CPDON e PoP do ON na Rede Rio

Fechando o pacote de inovações digitais que preparam a instituição para seus 200 anos, o ON inaugurou no ano em que faz 199 anos o seu novo Centro de Processamento de Dados (CPDON) e implantou o Ponto de Presença (PoP do ON) da Rede Rio, garantindo alta velocidade e resiliência na transmissão de dados acadêmicos e científicos.

O gestor da Divisão de Tecnologia da Informação do ON (DITIN/ON), Dr. Jorge Eduardo Mansur Serzedello , enfatizou a relevância do marco: "Tornar-nos um Ponto de Presença sempre foi um objetivo estratégico. Mais do que integrar a rede, queríamos nos tornar um ponto agregador e multiplicador de conectividade e colaboração. Hoje, entendemos que o CPDON dispõe de uma infraestrutura física e lógica robusta, capaz de contribuir significativamente para esse ecossistema, ampliando a conectividade, a alta disponibilidade e a resiliência dos serviços do Observatório Nacional, além de fortalecer a integração com as instituições parceiras”.

Um ano inteiro de celebrações rumo aos 200 anos

Com o aniversário de 199 anos em 15 de outubro, o Observatório Nacional dá o pontapé inicial nas comemorações que culminarão no seu Bicentenário em 2027. A programação se estenderá ao longo de todo o ano com exposições, palestras, eventos abertos e projetos de divulgação científica voltados para escolas e para a população em geral.

"No próximo dia 15 de outubro, vamos iniciar oficialmente a contagem regressiva para o nosso bicentenário. Não queremos que essa celebração fique restrita a uma única data. Queremos aproveitar essa oportunidade para mostrar à sociedade não apenas a importância histórica da nossa instituição, mas também a ciência que realizamos hoje e sua contribuição para o nosso cotidiano. Mais do que comemorar os 200 anos do Observatório Nacional, queremos convidar a sociedade brasileira a participar desta celebração. Afinal, essa história não pertence apenas ao ON; ela faz parte da história da ciência e do próprio Brasil", concluiu o diretor do ON.

 

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