Com exemplo do Paraná, Teixeira destaca reforma agrária sem conflitos violentos
Convidado do “Bom Dia, Ministro” desta terça (20/1), o titular do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar também apontou possíveis ganhos a partir do Acordo Mercosul-UE com ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu
Para ilustrar o progresso da reforma agrária, o ministro Paulo Teixeira destacou ao longo do programa “Bom Dia, Ministro” o acordo histórico que solucionou o maior e mais antigo conflito fundiário do País, garantindo 34 mil hectares para a Reforma Agrária no Paraná. O acordo que envolveu a empresa Araupel é o desfecho de uma luta de 30 anos, desde a ocupação da Fazenda Giacometti-Marodin (pertencente à Araupel), em 1996, em Rio Bonito do Iguaçu. O titular do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar foi entrevistado por profissionais de imprensa – rádios e portais — de várias regiões do país nesta terça-feira, 20 de janeiro.
A pactuação cria e regulariza assentamentos, contemplando cerca de 3 mil famílias que se somam a outras 4 mil. O entendimento, que contou com a fundamental participação do Ministério da Fazenda e da AGU, destina áreas à Reforma Agrária nos municípios de Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu. O acordo contou com a anuência do Ministério Público Federal (MPF) e a aprovação dos movimentos sociais – incluindo o compromisso com a criação de novos assentamentos para mais famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região.
É um acordo de natureza pública, republicana e que favorece as famílias que lutam pela terra há 30 anos no Paraná e que vão se desenvolver. Daqui a uma geração, as famílias vão estar em outro patamar socioeconômico. E a região também ganhará com isso, porque vai ter desenvolvimento acelerado”, afirmou o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
Paulo Teixeira ressaltou que as três décadas de duração da contenda demonstram a dificuldade para se alcançar o acordo. “Trinta anos para resolver mostra que não foi fácil. O que ficou para este governo foram os temas mais difíceis nesta área. O acordo foi possível porque vários atores tiveram papel muito importante”, relatou. “É uma fazenda que foi ocupada desde 1996 e que foi cenário para duas fotos icônicas do fotógrafo Sebastião Salgado: uma das pessoas entrando na fazenda – uma foto que girou o mundo – e de uma garota que é a cara da luta pela reforma agrária”, disse Teixeira.
O ministro discorreu sobre o tema, prioritário para o MDA, e agradeceu a ajuda de outros órgãos governamentais, além da participação das famílias acampadas nas localidades. “Quero parabenizar a equipe do Incra e o seu presidente César [Aldrighi], toda a equipe do MDA, e agradecer ao ministro Fernando Haddad, da Fazenda, que ajudou muito no acordo. Agradeço o ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, e sua equipe, e à boa vontade do Judiciário do Paraná, e da Câmara de Conciliação do Paraná”, mencionou.
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Ele projetou ainda as perspectivas para a região após a solução do impasse. “A fazenda é o que a gente chama de uma área reformada de reforma agrária, que costuma dar muito certo. Aqui no Brasil, a Serra Gaúcha é um exemplo de um programa de reforma agrária que foi feito para italianos pobres no final do século 19 e que hoje virou uma região industrial poderosa. Ali vai virar uma região de produção de alimentos, e um mercado de consumo que vai propiciar, inclusive, agroindustrialização”, elencou.
“É um acordo de natureza pública, republicana e que favorece as famílias que lutam pela terra há 30 anos no Paraná e que vão se desenvolver. Daqui a uma geração, as famílias vão estar em outro patamar socioeconômico. E a região também ganhará com isso, porque vai ter desenvolvimento acelerado”, resumiu Paulo Teixeira.
MERCOSUL/UNIÃO EUROPEIA — Teixeira também falou sobre outro acordo também celebrado após quase três décadas de negociações: o Acordo Mercosul-União Europeia, recentemente aprovado pelo Conselho Europeu e que ganhou força no ano passado, quando o Brasil liderou as tratativas durante a presidência Pro Tempore do Mercosul, encerrada no final de dezembro de 2025 e assumida pelo Paraguai. A aprovação do acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta e consolida a integração entre dois dos maiores blocos econômicos globais.
“Quem predomina na produção de café no Brasil são os agricultores familiares do país inteiro. Eles vão ganhar muito, inclusive porque agora poderão vender o café já processado sem taxas para a União Europeia. O Brasil tem procurado diversificar os seus mercados, inclusive, neste episódio em que tivemos aumento de tarifas pelos Estados Unidos, se abriu um mercado de grande tamanho, consumidor e rico, porque os europeus poderão comprar vários produtos da agricultura familiar”, declarou Teixeira.
PRODUTOS EM VANTAGEM — O acordo prevê eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul. Isto permite que o agro brasileiro aumente vendas de diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa, como reforçou o ministro Paulo Teixeira.
“Por exemplo, o açaí está bombando no mundo inteiro, mas temos também manga, uva, melão. Os agricultores familiares poderão vender os seus produtos na Europa sem taxas e assim vão ganhar muito quando for aberto todo o mercado para a agricultura familiar brasileira. Eu acho que esse acordo vai ajudar a aumentar a força da agricultura familiar no Brasil”, afirmou o titular do Desenvolvimento Agrário.
Para o setor agrícola, o acordo é avaliado como sem precedentes por envolver dois dos maiores agentes mundiais do setor. A União Europeia foi a maior exportadora e a segunda maior importadora agrícola em 2024 — teve corrente comercial agrícola com o mundo de US$ 494,18 bilhões. O Brasil foi o terceiro maior exportador agrícola mundial em 2024 (US$ 144,8 bilhões) e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu.
Em 2025, foram exportados US$ 21,8 bilhões de produtos agrícolas para a UE, 44% da pauta exportadora brasileira para o bloco. A expectativa é que a demanda europeia torne os produtos nacionais mais competitivos, eleve a qualidade da oferta e viabilize maior diversificação da pauta exportadora agrícola brasileira no mercado internacional.
QUEM PARTICIPOU — O “Bom Dia, Ministro” é uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Participaram do programa desta terça-feira a Rádio Nacional de Brasília, Amazônia e Alto Solimões (EBC), Portal Porque (Sorocaba/SP); Rádio Bandeirantes (Goiânia/GO); Jornal O Imparcial (São Luís/MA); Rádio CBN (Foz do Iguaçu/PR); Rádio BandNews (Salvador/BA); Portal Estado de Minas (Belo Horizonte/MG) e Rádio Clube do Pará (Breves/PA).
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